Procedimento ocorreu no hospital DF Star, durou cerca de três horas e não teve intercorrências; ex-presidente seguirá internado para acompanhamento médico
Cirurgia e quadro clínico
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido nesta quinta-feira (25) a uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral, realizada no hospital DF Star, em Brasília. O procedimento teve início por volta das 9h40 e foi concluído aproximadamente três horas depois, sem registro de complicações, segundo informou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Bolsonaro havia sido internado na véspera do Natal para a realização de exames pré-operatórios. De acordo com boletim médico divulgado no dia 24, avaliações clínicas, cardiológicas e de risco cirúrgico indicaram que o paciente estava apto para a intervenção. Após a cirurgia, a previsão é de permanência em observação por um período entre cinco e sete dias.
Histórico médico
A hérnia inguinal é caracterizada pelo deslocamento de tecido abdominal, que provoca uma saliência na região da virilha. O médico Claudio Birolini, integrante da equipe cirúrgica, explicou que foi adotada uma técnica convencional, em vez da laparoscopia, devido ao histórico de múltiplas cirurgias às quais o ex-presidente já foi submetido.
Bolsonaro é acompanhado com frequência por equipes médicas desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018. Em abril deste ano, passou por uma cirurgia de grande porte, com duração aproximada de 12 horas, para tratar uma obstrução intestinal.
Birolini também afirmou que, nos próximos dias, será avaliada a necessidade de um procedimento não cirúrgico para conter crises recorrentes de soluço. Segundo o médico, trata-se de um bloqueio anestésico do nervo frênico, técnica considerada relativamente segura, mas que não integra o tratamento padrão para esse tipo de quadro.
Situação emocional e recuperação
Outro integrante da equipe médica, o cardiologista Brasil Ramos Caiado, declarou que Bolsonaro apresenta sinais de ansiedade e abatimento emocional. Segundo ele, esse estado tem contribuído para episódios frequentes de soluço, que afetam o sono e o bem-estar do paciente.
Após o procedimento, o ex-presidente permaneceu em recuperação da anestesia geral por cerca de duas horas. A equipe médica informou que a cirurgia tem grau moderado de complexidade, mas baixo índice de morbidade.
Autorização judicial e segurança
A saída temporária de Bolsonaro da custódia da Polícia Federal para a realização da cirurgia foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após perícia médica da própria PF apontar a necessidade de uma intervenção cirúrgica eletiva em curto prazo.
Na mesma decisão, Moraes negou pedido de prisão domiciliar, argumentando que o ex-presidente já se encontra custodiado em local próximo a um hospital particular apto a atendê-lo em situações de emergência. Bolsonaro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde novembro, por decisão judicial relacionada às investigações sobre tentativa de golpe de Estado.
Durante o período de internação, o ministro autorizou visitas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos filhos Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, mas proibiu o uso de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde o início do ano, não consta na lista de visitantes autorizados.
A Polícia Federal é responsável pela vigilância contínua do ex-presidente, com pelo menos dois agentes posicionados na porta do quarto hospitalar, além de equipes adicionais nas áreas internas e externas do hospital.
Apoiadores no hospital
Na manhã da cirurgia, apoiadores de Bolsonaro se reuniram em frente ao hospital, onde realizaram orações e exibiram uma bandeira do Brasil. O local contou com a presença de policiais militares para reforçar a segurança.



