Grupo reunirá autoridades de Justiça, segurança e especialistas para reforçar ações de inteligência e cooperação entre países do bloco
O Mercosul decidiu instituir uma comissão permanente voltada ao combate ao crime organizado transnacional, em uma iniciativa que busca fortalecer a cooperação regional em segurança pública. O anúncio foi feito neste sábado (data), durante a cúpula do bloco realizada em Foz do Iguaçu (PR), pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira.
Segundo o ministro, a criação do colegiado representa um avanço concreto na articulação entre os países-membros para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais. “Estamos convencidos de que daremos um salto qualitativo em nossa segurança pública, com efeitos diretos no cotidiano dos cidadãos”, afirmou.
Estrutura e atribuições da comissão
A comissão será composta por representantes dos ministérios da Justiça e da Segurança Pública, do Interior, integrantes do Ministério Público, forças policiais e especialistas nas áreas de combate à lavagem de dinheiro e recuperação de ativos. A proposta é integrar diferentes órgãos e expertises para ampliar a capacidade de resposta dos Estados às redes criminosas.
De acordo com Mauro Vieira, o grupo faz parte da estratégia mais ampla do Mercosul para enfrentar o crime organizado transnacional, em um cenário marcado pela expansão de facções criminosas no continente e pelo aumento da complexidade dessas organizações. O tema também ganhou peso no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do avanço territorial e da sofisticação operacional dos grupos criminosos.
Cooperação regional e ações de inteligência
O plano de trabalho da comissão deverá orientar as autoridades nacionais em ações de prevenção, investigação e repressão ao crime organizado, com ênfase no compartilhamento de informações, no uso de inteligência integrada e no aproveitamento das sinergias já existentes entre os países do bloco.
A iniciativa ocorre em um contexto internacional sensível, marcado por pressões externas relacionadas ao combate ao narcotráfico e por desafios crescentes à segurança regional, o que reforça a necessidade de respostas coordenadas no âmbito sul-americano.
Cúpula encerra presidência brasileira do bloco
O encontro em Foz do Iguaçu marca o encerramento da presidência temporária do Mercosul exercida pelo Brasil. Havia expectativa de que a reunião selasse o acordo comercial entre o bloco e a União Europeia, mas resistências de países europeus, como Itália e França, adiaram a assinatura, agora cogitada para janeiro.
Além de Lula, participam da cúpula os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Paraguai, Santiago Peña, e do Uruguai, Yamandú Orsi. A Bolívia está representada por seu chanceler, enquanto o Panamá, país associado ao bloco desde o ano passado, participa com o presidente José Raúl Mulino.



