Irmãs octogenárias voltam ao Castelo de Goldenstein com apoio da comunidade, apesar de oposição da Arquidiocese de Salzburgo
Freiras afirmam ter sido retiradas contra a vontade e levadas a asilo
Três freiras austríacas vivem uma situação incomum que ganhou notoriedade internacional. As irmãs Bernadette (88 anos), Regina (86) e Rita (82) afirmam ter sido retiradas à força do convento onde serviram por toda a vida, em dezembro de 2023, e levadas para um asilo contra sua vontade.
Em entrevista à BBC, elas relataram que o Castelo de Goldenstein, onde viveram durante décadas, passou em 2022 para a administração conjunta da Arquidiocese de Salzburgo e da Abadia de Reichersberg, um mosteiro agostiniano. Com a mudança, o reitor Markus Grasl tornou-se o superior responsável pela comunidade religiosa.
Comunidade é dissolvida e irmãs contestam decisão
No início de 2024, a antiga comunidade religiosa instalada no castelo foi oficialmente dissolvida. Àquelas que conseguissem comprovar boa saúde física e mental foi dada a opção de permanecer no local. Apesar disso, as três irmãs foram transferidas para um lar de idosos — medida que, segundo elas, ocorreu sem consentimento.
A situação mudou em setembro deste ano, quando, após o que chamaram de um “ato de rebeldia”, as religiosas voltaram ao castelo com o apoio de ex-alunos e a ajuda de um chaveiro.
“Fui obediente a vida toda, mas isso foi demais”, declarou a Irmã Bernadette.
“Estou tão feliz por estar em casa”, disse a Irmã Rita. “Eu sempre sentia saudades de casa no asilo. Estou muito feliz e grata por estar de volta”, acrescentou.
O retorno, porém, irritou setores da Igreja. Em comunicado, o reitor Grasl classificou a decisão das religiosas como “completamente incompreensível”, alegando que as “condições precárias de saúde” das freiras impediriam a permanência autônoma no convento e que o asilo oferecia “cuidados médicos absolutamente essenciais, profissionais e de qualidade”.
Reestruturação do castelo e apoio da comunidade
Aos poucos, serviços de água e eletricidade foram restabelecidos no castelo, e as irmãs têm recebido doações de alimentos e suprimentos de ex-alunos e apoiadores. O local funciona como convento e instituição de ensino desde 1877 — e abriu as portas para meninos a partir de 2017.
Em entrevista ao jornal austríaco Krone, as irmãs revelaram que recusaram assinar um acordo com as superioras religiosas que previa a permanência no convento, mas dependia também da aprovação do reitor — que não deu o aval.
Popularidade nas redes sociais e apoio público
Enquanto o impasse institucional continua, as freiras de Goldenstein vêm ganhando grande apoio popular. O perfil criado por apoiadores nas redes sociais já ultrapassa 100 mil seguidores no Instagram, onde as irmãs compartilham trechos da rotina e mensagens de incentivo.
Em um dos vídeos, Irmã Rita aparece fazendo exercícios físicos.
“Irmã Rita mantém-se em forma como sempre. Irmã Rita vem de uma fazenda e está acostumada ao trabalho duro desde a infância. É por isso que ela ainda treina especialmente aos 82 anos”, diz a publicação.
Comentários de internautas reforçam a mobilização em defesa das religiosas:
“Três mulheres de honra estão de pé – e com elas algo muito maior está de pé. […] Elas são mulheres educadas e fortes que estão confrontando a dominação masculina na Igreja”, escreveu um usuário.
“As lindas freiras representam uma Igreja como nós gostaríamos que elas fossem.”
“A Igreja deveria estar contente por ter três mulheres tão grandes em público. Isso só pode trazer o bem para a comunidade. Continuem, nós amamos vocês”, disse uma internauta.Asssita o vídeo da freira “malhando”



