Ex-vice-presidente perde segurança estendida por Joe Biden; decisão ocorre às vésperas do lançamento de seu livro
Proteção prorrogada por Biden é cancelada por Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o fim da proteção do Serviço Secreto concedida a Kamala Harris. O benefício havia sido prorrogado pelo ex-presidente Joe Biden pouco antes de deixar a Casa Branca, mas foi oficialmente revogado por Trump em memorando datado de 28 de agosto, segundo documento obtido pela BBC.
Por lei, ex-vice-presidentes têm direito a seis meses de proteção após deixarem o cargo. No caso de Harris, esse período se encerrou em julho, mas Biden havia estendido a segurança por mais um ano. A medida foi agora anulada.
Perda de agentes e de inteligência preventiva
A decisão implica o fim da escolta pessoal e da vigilância preventiva em torno da residência de Harris, em Los Angeles. Esse tipo de proteção envolve equipes de inteligência especializadas em detectar e neutralizar ameaças, cujo custo, se contratado de forma privada, poderia alcançar milhões de dólares por ano.
O marido da ex-vice-presidente, Doug Emhoff, já havia perdido o direito ao serviço em 1º de julho, quando se completaram os seis meses previstos na legislação.
Avaliação de risco e impacto político
Segundo fontes citadas pela CBS, uma recente análise de ameaças não identificou riscos excepcionais que justificassem a manutenção do esquema de segurança. Ainda assim, a decisão gerou forte reação política.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, classificou a medida como um ato de “vingança política” e declarou que garantirá a segurança de Harris na cidade. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, também se manifestou contrário à revogação.
Contexto de ameaças e histórico de revogações
Durante seu mandato como vice-presidente, Harris foi alvo de diversas ameaças, ampliadas pelo fato de ser a primeira mulher e a primeira pessoa negra a ocupar o cargo. Casos envolvendo ameaças online e até planos de ataque chegaram a ser investigados pelo Serviço Secreto.
A decisão de Trump não é isolada. Desde o início de seu novo mandato, em janeiro, ele revogou a proteção de diversos nomes, como Hunter e Ashley Biden, filhos do ex-presidente, Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, e aliados de seu próprio governo, como Mike Pompeo e John Bolton.
Turnê de livro e momento político
A revogação ocorre justamente antes de Harris iniciar uma turnê nacional para divulgar seu livro 107 Days (“107 Dias”), no qual narra sua breve e frustrada campanha presidencial em 2024.
Enquanto isso, Trump, que enfrentou duas tentativas de assassinato durante a última corrida eleitoral, segue contando com o Serviço Secreto como principal escudo de segurança.
( Com BBC NEWS BRASIL )