Israel amplia ofensiva com ataques aéreos em várias cidades iranianas, enquanto Teerã responde com mísseis e alerta países ocidentais sobre possível escalada militar
Nova onda de ataques israelenses atinge cidades estratégicas no Irã
A crise entre Israel e Irã atingiu um novo patamar neste sábado (14), com a ampliação das ofensivas militares de ambos os lados. Em resposta aos ataques recentes de Teerã, a força aérea israelense lançou bombardeios contra alvos em diferentes regiões do território iraniano. Entre os locais atingidos estão as cidades de Tabriz, no noroeste, Kermanshah e Khorramabad, no oeste do país, segundo veículos de comunicação iranianos.
Nas primeiras horas do dia, um ataque específico chamou a atenção: um hangar de caças de combate, localizado no aeroporto Mehrabad, em Teerã, utilizado para voos domésticos, foi alvo de bombardeios.
Retaliação iraniana deixa mortos e feridos em Israel
Em contrapartida, o Irã retaliou com uma série de lançamentos de mísseis, provocando a morte de ao menos três civis israelenses e deixando dezenas de feridos. Os ataques ocorreram em resposta a uma ofensiva anterior de Israel, que mirou instalações militares e nucleares iranianas.
Apesar dos danos em áreas urbanas, como Tel Aviv, autoridades israelenses informaram que a maioria dos projéteis e drones lançados por Teerã foi interceptada antes de atingir os alvos.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, endureceu o tom ao advertir o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. “Teerã vai pegar fogo se continuarem lançando mísseis contra civis israelenses”, afirmou Katz em comunicado oficial. Ele acusou o governo iraniano de colocar a própria população em risco. “O ditador iraniano está tomando os cidadãos como reféns e criando uma situação em que, principalmente os moradores da capital, pagarão um preço alto pelas agressões contra Israel”, declarou.
Ofensiva israelense mira líderes militares e cientistas nucleares
Israel anunciou a intenção de ampliar sua campanha militar. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que os caças estão prontos para retomar os bombardeios contra alvos estratégicos, incluindo pontos sensíveis em Teerã.
Segundo fontes militares, além de aviões de guerra, Israel utilizou drones previamente infiltrados no território iraniano para realizar os ataques. As ações teriam como objetivo eliminar figuras de alto escalão do aparato militar e científico do Irã, entre eles o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o comandante da Guarda Revolucionária.
O embaixador iraniano na Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que os ataques israelenses já causaram a morte de 78 pessoas e deixaram mais de 320 feridos. Entre as vítimas, estão ao menos cinco generais e nove cientistas envolvidos em programas de pesquisa nuclear, segundo atualização divulgada pelas autoridades de Teerã neste sábado.
Instalações nucleares iranianas estão entre os alvos
Entre os locais atingidos, destaca-se a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, a maior do Irã. Embora grande parte do complexo seja subterrânea, estruturas acima do solo teriam sido destruídas, conforme declarou Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Além de Natanz, outras instalações nucleares, como as de Fordow e Isfahan, também sofreram danos, de acordo com comunicado oficial iraniano à AIEA.
Análises de imagens de satélite, divulgadas pela agência Associated Press, confirmam impactos significativos em bases de mísseis localizadas em Kermanshah e Tabriz.
Negociações nucleares são suspensas em meio à crise
A intensificação dos combates gerou impactos diretos nas negociações nucleares entre o Irã e os Estados Unidos, que estavam previstas para este domingo. Em pronunciamento, autoridades iranianas disseram não haver mais condições para prosseguir com o diálogo enquanto os ataques continuarem.
Na sexta-feira, a AIEA havia emitido um alerta ao Irã, criticando o país por não cumprir integralmente os termos do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
Irã ameaça países ocidentais e Trump promete apoio a Israel
Diante do agravamento da crise, Teerã enviou um recado duro a potências ocidentais. O governo iraniano advertiu que bases militares e embarcações dos Estados Unidos, do Reino Unido e da França podem se tornar alvos caso haja qualquer envolvimento direto na defesa de Israel.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou neste sábado o compromisso de apoiar o governo israelense e confirmou que forças americanas participaram da interceptação de drones e mísseis iranianos nas últimas horas.
Em Paris, o presidente Emmanuel Macron afirmou que a França também está disposta a ajudar Israel na proteção contra eventuais novos ataques.
Já o governo britânico, por meio do primeiro-ministro Keir Starmer, afirmou que as forças do Reino Unido não estão prestando apoio militar a Israel, reforçando a necessidade de uma solução diplomática para conter a escalada de violência na região.