Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta aumento de 91% nas ocorrências de SRAG em quatro semanas; especialista reforça a importância da vacinação contra a gripe
O Brasil enfrenta um cenário preocupante na saúde pública, com o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) superando os totais registrados nos últimos dois anos. O alerta foi emitido ontem (12) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, por meio do boletim semanal InfoGripe.
Nos últimos 28 dias, o total de ocorrências de SRAG quase dobrou, com um aumento de 91% em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse crescimento atípico concentra-se, sobretudo, nos estados das regiões Centro-Sul do país. A influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) são os principais agentes causadores de hospitalizações por SRAG na maior parte do território nacional.
Apesar do quadro geral, o estudo referente à Semana Epidemiológica (SE) 23 (1º a 7 de junho) começa a indicar sinais de estabilização ou início de queda no número de casos em algumas localidades específicas: Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Distrito Federal. Contudo, a incidência de hospitalizações por SRAG nessas regiões permanece em níveis muito elevados.
Impacto distinto em diferentes faixas etárias
Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe, analisa que a influenza A tem sido a principal causa de SRAG no país, afetando todas as faixas etárias, mas com um impacto mais significativo em idosos. Já o VSR tem contribuído para a alta de casos de SRAG, sendo a principal razão de hospitalizações em crianças.
“Por isso, a gente reforça a importância da vacinação contra a gripe. Essa é a principal forma de prevenir casos graves e óbitos. Com uma boa cobertura vacinal, conseguimos diminuir esse número de hospitalizações no país”, enfatiza a pesquisadora. Portella também recomenda o uso de máscaras em postos de saúde e locais fechados com aglomeração, em caso de sintomas de gripe ou resfriado.
O boletim InfoGripe detalha que os casos de SRAG em crianças pequenas, associados ao VSR, continuam em crescimento na maior parte do país. No entanto, há sinais de interrupção do aumento ou início de queda em algumas áreas do Centro-Oeste (Distrito Federal e Goiás), Sudeste (São Paulo e Espírito Santo) e no Norte (Acre), embora os níveis de casos ainda se mantenham elevados.
Cenário por capital e prevalência de vírus
Em relação aos idosos, observa-se um aumento de casos em Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Além disso, Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Porto Velho, Rio de Janeiro e São Luís também apresentam tendência de crescimento entre jovens e adultos.
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas analisadas, a prevalência entre os casos positivos foi de:
- Influenza A: 40%
- Influenza B: 0,8%
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR): 45,5%
- Rinovírus: 16,6%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 1,6%
Entre os óbitos, a presença desses vírus foi de:
- Influenza A: 75,4%
- Influenza B: 1%
- VSR: 12,5%
- Rinovírus: 8,7%
- Sars-CoV-2 (Covid-19): 4,4%