“Não vamos perder tempo. Enquanto o governo federal ainda debate caminhos, Goiás está saindo na frente. Estamos trabalhando para consolidar nosso estado como um polo nacional e internacional de Inteligência Artificial”, afirma o governador Ronaldo Caiado.
Projeto institui a Política Estadual de Fomento à Inovação em IA e reforça liderança goiana no setor tecnológico
O governador Ronaldo Caiado encaminhou à Assembleia Legislativa de Goiás uma proposta de lei que institui a Política Estadual de Fomento à Inovação em Inteligência Artificial (IA). A medida, inédita no cenário nacional, visa consolidar o estado como referência na área ao fomentar iniciativas públicas e privadas voltadas ao desenvolvimento de soluções tecnológicas baseadas em IA.
Ao anunciar o envio do projeto, Caiado ressaltou o protagonismo de Goiás no setor de tecnologia. “Não vamos perder tempo. Enquanto o governo federal ainda discute diretrizes, Goiás está avançando. Estamos trabalhando para transformar o estado em um polo nacional e internacional de Inteligência Artificial”, afirmou.
O projeto estabelece diretrizes que beneficiarão setores estratégicos como agronegócio, indústria 4.0 e saúde, com apoio técnico e financeiro a universidades, centros de pesquisa e startups. Entre as medidas previstas estão a criação de infraestrutura digital compartilhada, garantia de segurança jurídica e estímulo ao ambiente de inovação.
Educação, capacitação e novos centros tecnológicos
Um dos eixos centrais da proposta é a formação de profissionais qualificados. Para isso, o texto prevê a inserção de conteúdos relacionados à IA no currículo das escolas estaduais, além de parcerias com o Sistema S para capacitação técnica. Em Goiânia, onde já funciona o Hub Goiás — centro voltado ao apoio de startups —, será instalado um Centro Estadual de Computação Aberta e IA, equipado com data centers sustentáveis.
Também está prevista a criação de um ambiente experimental permanente, denominado Sandbox Estadual de IA, no qual soluções tecnológicas poderão ser testadas de forma controlada. No setor público, será priorizado o uso de softwares de código aberto, com objetivo de otimizar processos e reduzir a burocracia.
Para reconhecer e estimular iniciativas inovadoras, o projeto cria o Prêmio Anual Goiás Aberto para Inteligência Artificial.
“O nosso foco é o cidadão. Na educação, queremos preparar a juventude para o futuro. Na saúde, usaremos IA para otimizar a gestão hospitalar. No campo, vamos adotar soluções tecnológicas que aumentem produtividade e sustentabilidade”, reforçou Caiado.
Participação técnica e inspiração em experiências internacionais
A elaboração do projeto levou aproximadamente um ano e contou com o envolvimento de universidades, empresas e especialistas renomados. Entre os consultores está o professor Ronaldo Lemos, jurista e pesquisador conhecido por seu papel na formulação do Marco Civil da Internet.
Lemos destacou que a proposta goiana se diferencia do projeto de lei federal atualmente em tramitação por não se limitar a aspectos regulatórios, mas por fomentar de forma concreta o uso e a pesquisa em inteligência artificial, especialmente em vertentes como IA aberta e educação tecnológica.
Investimentos e centros de referência
Entre 2019 e 2024, Goiás investiu cerca de R$ 690 milhões em ciência, tecnologia e inovação por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeg). Um dos frutos desses aportes é o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG), que desde sua criação em 2019 já captou mais de R$ 300 milhões.
O Ceia se tornou referência em IA na América Latina e abriga o primeiro centro brasileiro voltado a tecnologias imersivas aplicadas a mundos virtuais — o Advanced Knowledge Center for Immersive Technologies (AKCIT). Além de atender instituições públicas e privadas, o centro também desenvolve soluções para o mercado internacional.
Outro destaque é o Hub Goiás, primeiro espaço público da região Centro-Oeste dedicado ao empreendedorismo inovador. Inaugurado em 2023, o hub já apoiou 160 startups e empresas de base tecnológica, sendo hoje um dos maiores distritos de inovação do país.