Estrutura emitirá fumaça preta ou branca para indicar ao mundo se o sucessor de Francisco foi escolhido durante o conclave, que terá início no dia 7
O Vaticano concluiu nesta sexta-feira (2) a instalação da chaminé sobre o telhado da Capela Sistina, tradicional sinal visível que anunciará ao mundo o desfecho de cada etapa do conclave. A cerimônia de escolha do novo papa começa no próximo dia 7, com a participação exclusiva dos cardeais eleitores, conforme anunciou a Santa Sé.
A fumaça preta indica que não houve consenso na votação, enquanto a fumaça branca sinaliza a eleição de um novo pontífice. O sistema é visível aos fiéis reunidos na praça de São Pedro e é um dos ritos mais emblemáticos do processo sucessório no Vaticano.
Como será o conclave
Antes do início da votação, os cardeais participarão da Missa Pro Eligendo Papa, uma celebração eucarística solene que marca oficialmente a abertura do conclave. Em seguida, caminham em procissão até a Capela Sistina, onde permanecerão em clausura até a definição do novo papa.
No interior da capela, os eleitores prestam juramento de manter absoluto sigilo sobre o processo e de rejeitar qualquer tentativa de interferência externa. Após o juramento, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias proclama o tradicional “extra omnes”, determinando a saída de todos os que não participam da eleição. Ficam apenas os cardeais e um eclesiástico, responsável por conduzir uma breve meditação sobre a responsabilidade do cargo e a importância da escolha feita com “intenção pura para o bem da Igreja Universal”.
Ao final da meditação, o ambiente é fechado e tem início o período de votação.
Durante o processo, os cardeais não podem manter qualquer tipo de comunicação externa, nem mesmo por telefone. Também é vedado o recebimento de jornais, revistas ou qualquer meio de informação.
Quantidade de votos e etapas
Segundo o Vaticano, é necessário obter dois terços dos votos para a eleição ser válida. Caso o total de eleitores não seja divisível por três, um voto extra é acrescentado para se alcançar a maioria qualificada.
Na primeira tarde de conclave, realiza-se apenas uma votação. Nos dias seguintes, os cardeais votam duas vezes pela manhã e duas vezes à tarde. Se, após três dias consecutivos de votações, nenhum candidato for eleito, os eleitores recebem um dia de pausa para orações e reflexão, podendo também ouvir uma exortação do cardeal protodiácono, atualmente Dominique Mamberti.
Se nenhuma escolha for feita em ciclos sucessivos, o intervalo e os discursos podem ser repetidos.
Todas as cédulas utilizadas são queimadas ao final de cada votação. A fumaça preta ou branca que sai pela chaminé da Capela Sistina indica, portanto, o andamento do processo.
Proclamação do novo papa
Quando um cardeal é escolhido e aceita o cargo, o decano do Colégio Cardinalício, cardeal Giovanni Battista Re, pergunta: “Aceita a sua eleição canônica como sumo pontífice?” Após o consentimento, questiona-se qual será o nome papal adotado.
O registro oficial da eleição é feito por dois oficiais cerimoniais que servem como testemunhas. A partir da aceitação, o eleito passa a exercer plena autoridade sobre a Igreja Católica. O conclave termina nesse momento.
Os demais cardeais então prestam obediência ao novo papa. Em seguida, o cardeal protodiácono aparece na varanda central da Basílica de São Pedro e anuncia: “Annuntio vobis gaudium magnum; habemus papam” – expressão latina que significa “Anuncio-vos uma grande alegria: temos um papa”.
O pontífice eleito concede então a tradicional bênção apostólica Urbi et Orbi à cidade de Roma e ao mundo.
Conforme o protocolo do Vaticano, o último passo é a posse formal da Arquibasílica de São João de Latrão, catedral da Diocese de Roma.