Com temperatura média global de 14,06°C, o mês ficou apenas 0,08°C abaixo do recorde histórico registrado em março do ano passado.
O mês de março de 2025 foi o segundo mais quente já registrado no planeta, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pelo programa europeu de observação climática Copernicus.
O dado reforça a continuidade de uma sequência incomum de calor global que já dura quase dois anos. Desde julho de 2023, todos os meses apresentaram temperaturas pelo menos 1,5°C superiores à média registrada no período pré-industrial — referência adotada por cientistas para medir o impacto das mudanças climáticas causadas pela ação humana.
Embora os picos de calor registrados em 2023 e 2024 tenham ocorrido durante um episódio intenso do El Niño, o atual cenário se desenvolve sob a influência do La Niña — fase oposta do fenômeno, geralmente associada ao resfriamento das águas do Pacífico e de parte do planeta.
Na Europa, março de 2025 foi o mais quente da série histórica do Copernicus, que compila dados desde 1940 com base em bilhões de medições obtidas por satélites, aeronaves, navios e estações terrestres. Outras fontes complementares, como análises geológicas e registros climáticos indiretos, permitem estimativas ainda mais amplas, que indicam que o planeta pode estar enfrentando seu período mais quente dos últimos 125 mil anos.
A temperatura média global de março foi 1,6°C acima dos níveis pré-industriais. “Que ainda estejamos 1,6ºC acima da era pré-industrial é realmente notável”, afirmou Friederike Otto, pesquisadora do Instituto Grantham de Mudança Climática, do Imperial College de Londres, à agência France-Presse. “Estamos firmemente nas mãos da mudança climática provocada pelos humanos.”
Cientistas alertam que cada fração de grau adicional de aquecimento amplia a intensidade e a frequência de eventos extremos, como secas severas, chuvas intensas e ondas de calor. Esses impactos já vêm sendo sentidos em diferentes regiões do planeta, com prejuízos econômicos, ambientais e sociais crescentes.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), o mundo está próximo de ultrapassar de forma permanente o limite de 1,5°C de aquecimento em relação à era pré-industrial — meta estipulada no Acordo de Paris. A estimativa atual é de que esse patamar seja rompido no início da década de 2030, ou até antes, conforme alertam estudos recentes.