Legislação municipal determina que a conservação das calçadas cabe aos donos dos imóveis. No Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, moradores se destacam pelo cuidado diário com os espaços públicos.
O Código de Posturas de Goiânia estabelece que cabe aos proprietários de imóveis a responsabilidade pela limpeza e conservação das calçadas. No Setor Pedro Ludovico, essa determinação tem sido cumprida com dedicação por moradores como Divino de Faria Sodré e Francisco Pereira Soares, que transformaram o zelo pelos espaços urbanos em prática cotidiana de cidadania.
Divino, de 65 anos, inicia todos os dias sua rotina por volta das 6h, cuidando da calçada de sua residência na Rua 1014, quadra 42. Com disposição e bom humor, varre folhas, remove resíduos e capina ervas daninhas que crescem entre as rachaduras do concreto. Morador da região há 57 anos, ele considera esse hábito um dever com a vizinhança e uma forma de cultivar o sentimento de pertencimento.
“É um lugar de encontros, risos e lembranças. Cada vizinho tem uma história para contar que aconteceu nessa calçada. Inclusive, faço questão de lembrar que as mudas de oitis recebi aqui no Setor Pedro, diretamente das mãos do saudoso Iris Rezende”, relata. Além da limpeza, ele se dedica a regar as árvores que ajudou a plantar.
Segundo Divino, manter a calçada em bom estado é mais do que uma exigência legal — é um sinal de respeito pelo coletivo. “Não é apenas uma calçada. É parte da nossa comunidade, porque a calçada é o primeiro contato que as pessoas têm com o nosso lar. Uma calçada mal cuidada é sinal de que o lugar não tem morador. Já uma calçada limpa é sinal de saúde”, afirma.
Outro exemplo de comprometimento é o de Francisco Pereira Soares, que também preserva a calçada em frente à sua casa. Após cuidar das árvores no local, recolhe folhas, galhos e até lixo indevidamente jogado. Apesar das brincadeiras de vizinhos, que o apelidaram de “gari” ou “funcionário” da prefeitura, ele mantém a convicção de que atitudes individuais podem melhorar o espaço urbano.
“Eu limpo mesmo a calçada, que é minha obrigação. Os vizinhos me chamam de gari e até de empregado da Prefeitura, mas tenho certeza de que, se todos mudassem de atitude, a cidade ficaria bem melhor”, diz.
As iniciativas desses moradores foram elogiadas pelo presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Cleber Aparecido Santos. “Assim como o seu Divino, os garis fazem um serviço semelhante, de limpar e deixar a cidade maravilhosa”, destacou.
A atuação de Divino e Francisco evidencia o papel essencial da população na manutenção do espaço urbano. Pequenas ações, quando repetidas e inspiradoras, contribuem significativamente para a construção de uma cidade mais limpa, acolhedora e cidadã.
