Na última terça-feira, a Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente e outras 33 pessoas por supostamente estarem envolvidas em uma trama golpista.
Em entrevista à Rádio Tupi, nesta quinta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro por solicitar anistia a acusados de tentativas de atentados contra o Estado democrático de direito e de conspiração golpista. Para Lula, tal atitude demonstra uma “confissão de culpa” por parte de Bolsonaro.
“O ex-presidente, ao pedir anistia, está, na verdade, admitindo sua culpa”, afirmou Lula. “Ele deveria estar dizendo ‘sou inocente, vou provar minha inocência’, mas, em vez disso, pede perdão, o que indica que se sente responsável pelos crimes que está sendo acusado.”
Lula ainda afirmou que, caso a acusação seja comprovada, ela revelará que a Justiça no Brasil “realmente é para todos”. O presidente reafirmou sua defesa do direito à ampla defesa e ao contraditório, princípios fundamentais que, segundo ele, devem ser assegurados a todos os acusados, independentemente de suas posições políticas.
Em relação às denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na última terça-feira (18), que envolvem Bolsonaro e outros 33 indivíduos supostamente envolvidos em uma trama para impedir sua derrota nas eleições de 2022 e a posse de Lula, o presidente reiterou que, como já havia declarado antes, o processo deve ser conduzido de forma justa, com todos os envolvidos tendo a chance de se defender. O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá analisar o caso ao longo de 2025.
Em contraste com a entrevista de hoje, Lula adotou um tom mais moderado no dia anterior, ao se referir ao processo em curso. Em coletiva no Palácio do Planalto, o presidente afirmou que todos têm direito à presunção de inocência. “Se as acusações não forem comprovadas, os acusados estarão livres. Caso contrário, terão que arcar com as consequências de seus atos”, disse.