Trump anuncia nova taxa de 25% sobre importação de produtos siderúrgicos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma postura cautelosa diante do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível aplicação de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio pelo país.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que o governo brasileiro aguardará um comunicado oficial antes de se pronunciar sobre o tema. Segundo ele, qualquer manifestação dependerá de decisões concretas por parte da administração norte-americana.
— O governo tomou a decisão de se manifestar oportunamente, com base em medidas concretas, e não em anúncios que podem ser mal interpretados ou revistos. Vamos aguardar a decisão oficial antes de qualquer posicionamento. O presidente da República definirá a orientação do governo após a apresentação efetiva das medidas — declarou Haddad em conversa com jornalistas.
A posição de prudência também é compartilhada pelo Ministério das Relações Exteriores. No Itamaraty, a avaliação é de que apenas com detalhes claros das medidas será possível uma análise mais aprofundada. O ministro Mauro Vieira, que está na França, retorna a Brasília na terça-feira. Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sob comando do vice-presidente Geraldo Alckmin, reforça que é necessário compreender a decisão em sua totalidade antes de qualquer posicionamento oficial.
Retaliação em pauta
Na semana passada, Lula já havia sinalizado a possibilidade de retaliação caso os Estados Unidos decidam impor barreiras comerciais ao Brasil. Em entrevista a rádios de Minas Gerais, o presidente afirmou que o governo adotará medidas recíprocas caso a taxação seja confirmada.
— Se ele (Trump) ou qualquer país aumentar a taxação contra o Brasil, nós vamos utilizar a reciprocidade e taxar também. Isso é simples e democrático — declarou o presidente.
O Brasil é atualmente o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos. Em 2024, o país exportou 4,08 milhões de toneladas do metal para o mercado norte-americano, ficando atrás apenas do Canadá, que lidera com 5,95 milhões de toneladas.
Relação cautelosa com Washington
O governo brasileiro tem evitado confrontos diretos com a administração Trump, especialmente neste momento inicial de seu novo mandato. Essa postura já foi observada em outros episódios recentes, como a deportação de 88 brasileiros no fim de janeiro. Os cidadãos desembarcaram no Aeroporto de Manaus algemados e acorrentados, mas o governo brasileiro optou por não adotar um tom de embate direto com Washington.