Especialistas apontam que edemas persistentes, fadiga extrema e dores irradiadas são sinais de que o coração pode estar falhando em bombear sangue; diagnóstico precoce é decisivo para evitar infartos
Enquanto a dor aguda no peito é o sinal mais temido e reconhecível de um colapso cardiovascular, a medicina alerta para uma série de sintomas periféricos que, por serem discretos, costumam ser negligenciados. Entre eles, o inchaço nas pernas e tornozelos surge como um dos “mensageiros” mais comuns de problemas graves, como a insuficiência cardíaca e a hipertensão, que frequentemente evoluem sem alardes até estágios críticos.
A complexidade do sistema cardiovascular faz com que problemas no “motor” do corpo se manifestem em extremidades, transformando sinais aparentemente banais em alertas de urgência médica.
O edema como termômetro da saúde cardíaca
O acúmulo de líquido nos tecidos, tecnicamente chamado de edema, ocorre quando o coração não possui força suficiente para bombear o sangue de volta das extremidades com eficiência. Em entrevista ao jornal britânico Mirror, a médica Bhavini Shah destacou que esse inchaço tende a se agravar ao longo do dia devido à gravidade.
No entanto, o diagnóstico exige cautela. O médico Jay Cardiello reiterou, em análise à revista Shape, que fatores cotidianos como dietas ricas em sódio, sedentarismo ou longas horas em pé também causam edemas. A distinção crucial reside na persistência: quando o inchaço é acompanhado de outros sintomas, o foco se volta imediatamente para a insuficiência cardíaca congestiva ou complicações renais.
Os pilares do alerta: além da dor no peito
Para identificar se o sistema cardiovascular está sob estresse, cardiologistas sugerem observar a combinação de quatro fatores principais:
- Fadiga Crônica: Um cansaço debilitante para realizar tarefas simples, como subir um lance de escadas ou caminhar distâncias curtas.
- Falta de Ar (Dispneia): A dificuldade respiratória ocorre porque o sangue “represa” nos vasos dos pulmões quando o coração não bombeia direito, causando um acúmulo de fluido.
- Pressão Torácica: Sensações de aperto ou compressão que podem irradiar para o pescoço e mandíbula.
- Acompanhamentos Atípicos: Náuseas, ansiedade súbita e mal-estar intenso são frequentemente subestimados, mas são indicativos comuns de eventos coronários em mulheres e idosos.
O enigma do braço esquerdo
A dor no braço esquerdo é, talvez, o sintoma mais envolto em mitos. Embora seja um sinal clássico de infarto, o cardiologista Brajesh Kunwar explica que a interpretação depende do contexto clínico. “Se a dor vier acompanhada de náuseas, ansiedade, sensação de vômito ou mal-estar intenso, é fundamental procurar ajuda médica imediatamente”, alerta o especialista.
Por outro lado, se a dor for isolada, causas musculoesqueléticas ganham força na investigação:
- Compressão Cervical: Nervos pressionados na coluna que irradiam dor para o membro.
- Lesões de Ombro: Bursites, tendinites ou luxações que afetam a mobilidade e causam desconforto persistente.
- Postura: O uso excessivo de telas e o tempo prolongado em posições inadequadas.
Prevenção e diagnóstico
A diretriz médica é unânime: qualquer alteração persistente no padrão de bem-estar exige exames laboratoriais e de imagem, como o ecocardiograma e o teste ergométrico. O monitoramento da pressão arterial e o controle do colesterol são os primeiros passos para garantir que sinais silenciosos não se transformem em emergências irreversíveis.



