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Vergônteas familiares e alguns dos descendentes ilustres do Cacique Tibiriçá em Goiás, como Bernardo Élis.

Por Nilson Jaime, D.Sc.

O mais icônico dos chefes tribais do Brasil pré-colonização, Cacique Tibiriçá, foi ancestral dos bandeirantes e de muitas das famílias e de personalidades da história e da cultura de Goiás, como o escritor Bernardo Élis.

Nascido “Tibiriçá” (o “vigia da terra”, em Tupi) em 1487, e falecido em 25/12/1562, o renomado cacique desempenhou importante papel na fundação da cidade de São Paulo, já que, em 1554, acolheu os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta no assentamento da Vila de São Paulo, estabelecendo-se com seus índios no local onde hoje se encontra o Mosteiro de São Bento.

Graças à sua influência, os jesuítas agruparam as primeiras cabanas de neófitos nas proximidades do Colégio de São Paulo, hoje Pátio do Colégio.

Tibiriçá foi convertido e batizado pelos jesuítas José de Anchieta e Leonardo Nunes. Seu nome de batismo cristão – Martim Afonso Tibiriçá – foi uma homenagem ao fundador de São Vicente, Martim Afonso de Sousa.

Era chefe de uma parte da nação indígena estabelecida nos campos de Piratininga com sede na aldeia de Inhampuambuçu.

Seus irmãos Piquerobi ( Piqueroby ) e Caiubi ( Caá-Uby ), foram chefes indígenas que se destacaram durante a colonização portuguesa do Brasil: o primeiro, como inimigo dos forasteiros; o segundo, como grande colaborador dos jesuítas. Os índios Guaianás eram chefiados por Tibiriçá, o principal morubixaba.

No dia 9 de julho de 1562, levantando a bandeira e uma espada de pau, pintados e enfeitados de diversas cores, repeliu, com bravura, o ataque à vila de São Paulo, efetuado pelos índios Tupis, Guaianás e Carijós, chefiados por seu sobrinho (filho de Piquerobi) Jaguaranho, no ataque conhecido como o Cerco de Piratininga. Durante o combate, Tibiriçá matou o irmão Piquerobi e o sobrinho Jaguaranho.

As duas bordunas supostamente pertencentes a Tibiriçá estavam em exposição permanente no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, quando ocorreu o fatídico incêndio na noite de 02 de setembro de 2018.

Poucos dias antes eu as fotografara, num dos últimos registros fotográficos da relíquia, certamente, já que foram destruidas no sinistro.

Tibiriçá foi sogro do náufrago pré-colonizador João Ramalho – que vivia maritalmente com sua filha Bartira (ou M’bicy ) – a pedido de quem defendeu os portugueses quando estes chegaram a São Vicente, sendo responsável, em parte, pela grande influência de João Ramalho entre os índios de São Paulo.

Reconhecido como “fundador e conservador da casa de Piratininga”, Tibiriçá morreu no dia 25 de dezembro de 1562, vitimado por uma “peste” que assolou sua aldeia. Seus restos mortais encontram-se na cripta da Catedral da Sé, na capital paulista, aberta à visitação pública. Teve, com a índia Potira muitos filhos, entre eles Ítalo, Ará, Pirijá, Aratá, Toruí, Bartira e Maria de Grã.

Tibiriçá é ancestral dos bandeirantes que “empurraram” a Linha de Tordesilhas para o Oeste, responsáveis pela ocupação do território a poente dessa linha, que inclui quase todo o Estado de Goiás.

Muitas das famílias famílias tradicionais de Goiás descendem dos mamelucos que vieram de Tibiriçá, de sua filha Bartira e do português João Ramalho.

Todas as vergônteas familiares de Rosa Maria de Lima Camargo (alcunhada “Mãe Grande”), esposa de João Fleury Coelho (codinome “Fradinho”, o primeiro com esse nome de família nascido em Goiás) são, portanto descendentes do Cacique Tibiriçá.

Dentre eles, os ex-presidentes da Província de Goiás, padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury (editor da Matutina Meiapontense, primeiro jornal de Goiás e genearca das famílias Jaime/Jayme, Sócrates, Confúcio, Sêneca e Cícero) e Antônio de Pádua Fleury , ancestral de Bernardo Élis . Descende do venerando casal, também, Ana das Dores Fleury de Campos Curado (“Inhazinha”) que, casada com o comendador João José de Campos Curado, deu início às famílias Fleury Curado e Curado Fleury.

Inúmeros descendentes de Tibiriçá destacaram-se nas letras, nas artes, na administração pública e na política goiana, como o já citado Bernardo Élis , seu pai Erico Curado, Jarbas Jayme, Maestro Joaquim Jayme e Agnelo Arlington Fleury Curado; os cantores Leo Jaime e Fernando Perillo; os senadores Luiz Gonzaga Jayme, Emival Caiado, Leoni Mendonça e Max Lânio Gonzaga Jaime; os deputados federais Eduardo Sócrates, Sebastião Fleury Curado, Tullo Hostílio Gonzaga Jayme, Iturival Nascimento e Geraldo de Pina; e o atual governador Ronaldo Caiado, dentre outros.

No livro FAMÍLIA JAIME/JAYME: GENEALOGIA E HISTÓRIA (1.148 páginas, publicado por mim, em 2016) do qual adaptei esse texto, descrevo, uma a uma, as 17 gerações familiares que unem pessoas do presente ao Brasil quinhentista do Cacique Tibiriçá e João Ramalho. São 500 anos de genealogia e de história.

Aquisições: (62) 98431-2121, com este autor.

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