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Vacinação, gripários e testagem: o que pode ser feito para evitar um colapso na saúde após explosão de casos de Covid no país

04/01/22: UPA do bairro Belo Horizonte, em Mossoró, registrou aumento de mais 300% nos atendimentos de pacientes com sintomas gripais. — Foto: Isaiana Santos/ Intertv Costa Branca

O Brasil está vivendo uma nova onda de infecções de Covid-19, com vários estados registrando casos de superlotação nas unidades de pronto atendimento.

 

O Brasil está vivendo uma nova onda de infecções de Covid-19, com vários estados registrando casos de superlotação nas unidades de pronto atendimento. Nesta sexta-feira (7), o país registrou 53,4 mil casos por Covid em 24 horas.

Na cidade de São Paulo, uma estimativa da prefeitura aponta que o número de casos de síndrome gripal com confirmação laboratorial para Covid-19 pode ser o dobro do registrado no pico da pandemia de coronavírus, em abril de 2021, recorde até então. Em Belo Horizonte, os leitos de enfermaria para Covid-19 no SUS chegaram à lotação máxima.

Além da Covid, o país vive um aumento de casos de gripe. No Distrito Federal, unidades de saúde seguem lotadas de pessoas com sintomas gripais, em busca de testes e tratamento. A situação se repete em outras regiões. Em Mossoró (RN), a procura por atendimento cresceu mais de 300%. Em Florianópolis, há relatos de pessoas que passaram até 24 horas na fila para atendimento.

O Consórcio Conectar, que representa mais de duas mil cidades brasileiras, pediu apoio ao Ministério da Saúde para reforçar a estrutura de atendimento na rede de saúde.

Mas o que o governo precisa fazer para evitar novos colapsos no sistema de saúde? Especialistas apontam cinco pontos importantes para que o SUS não fique sobrecarregado com a nova onda de infecções:

  • Continuar a vacinação
  • Investir no atendimento em massa da população e ampliar testagem
  • Criar gripários – tendas de atendimento para síndrome gripal
  • Telemedicina e atenção primária
  • Comunicar a população de forma clara

“Nessas últimas quatro semanas estamos vendo que a taxa de conversão de um paciente ambulatorial [com Covid] para hospitalizado caiu muito. Quando as outras variantes estavam circulando [cepa original, gama e delta], a chance de hospitalização e até óbito era muito maior”, explica o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Unesp de Botucatu.

Naime acredita que essa “mudança” na história da pandemia no Brasil se deu por dois fatores: a vacinação em massa e a ômicron – mais de 67% da população está totalmente imunizada (duas doses ou dose única).

Gerson Salvador, infectologista do Hospital Universitário da USP, alerta que a ômicron também é grave. Entretanto, parece ser menos grave em quem tomou a vacina. “Quem não está imunizado ou está parcialmente imunizado pode evoluir para caso grave.

Por isso, a primeira coisa a ser feita neste momento é TOMAR A VACINAR. “Quem não tomou a segunda dose, deve tomar. Quem precisa de reforço, deve procurar o reforço. E precisamos vacinar as crianças o quanto antes. Quando liberar para a idade do seu filho, leve ele para vacinar“, diz Salvador.

Estudo mostra que uma pessoa não vacinada tem quase 12 vezes mais risco de morrer de Covid

Ampliar testagem e criar gripários

Para os especialistas ouvidos pelo g1, não existe outra alternativa para o governo: é preciso investir no atendimento em massa da população, criar gripários (tendas para síndrome gripal) e ampliar a testagem, que sempre foi baixa no país.

“Os casos de síndrome gripal explodiram no Brasil. Estamos vendo uma superlotação no atendimento primário e pronto atendimento. O que podemos fazer? Investir no atendimento em massa da população, aumentar a capacidade de pronto atendimento das UBSs, criar gripário para esse tipo de atendimento“, alerta Naime.

Gerson Salvador lembra que é preciso também ampliar a testagem no país. “As unidades de saúde estão cheias porque existe uma burocratização com a testagem no Brasil. Em diversos países existe o autoteste. Precisamos liberar o autoteste [o autoteste precisa ser liberado pela Anvisa], para a pessoa fazer o diagnóstico em casa, sem se deslocar para uma farmácia ou unidade de saúde.”

O país avançou muito na vacinação, mas falhou na testagem. Somos um exemplo de distribuição de vacinas, mas um exemplo negativo de testagem. Testamos muito pouco”, completa Salvador.

Os governos também devem criar tendas para atender pessoas com síndrome gripal. Isso ajuda muito a desafogar o sistema de saúde, que deve estar liberado para outras emergências ou casos graves de Covid.

“Precisamos criar tendas, gripários, locais temporários para esse tipo de atendimento. A síndrome gripal é desagradável, tem sintomas chatos, mas não necessariamente é grave. A ideia é tirar esses pacientes do pronto atendimento, para deixar esse espaço para casos graves, e tentar mobilizar isso para UBS, tendas”, analisa Naime.

A emergência precisa estar reservada para quadros graves. Estamos passando por um momento de influenza, casos crescentes de Covid, as unidades de emergência estão lotadas de pacientes graves. Passamos por um período de maior tranquilidade, mas sabemos que em alguns estados, os setores de emergência estão no limite de capacidade”, comenta Salvador.

Prefeitura em Salvador reabriu o gripário  — Foto: Reprodução/TV Bahia

Prefeitura em Salvador reabriu o gripário — Foto: Reprodução/TV Bahia

Telemedicina pode ser alternativa

Logo após os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde autorizou o uso temporário da telemedicina no país. Esse novo modelo serve para atendimento clínico, consultas, diagnósticos e acompanhamento de pacientes.

Para Naime, ela pode ser uma aliada para desafogar os sistemas de saúde. “A telemedicina também é válida. Você consegue traçar um panorama clínico do paciente, mesmo à distância, para verificar se o quadro do indivíduo está evoluindo para um caso mais grave, por exemplo“.

Salvador concorda. “Municípios e gestores do SUS deveriam ampliar a oferta de telemedicina para atender pessoas com quadros leves, assim como os setores privados. O serviço hospitalar precisa ser focado nos quadros graves.”

"Municípios e gestores do SUS deveriam ampliar a oferta de telemedicina para atender pessoas com quadros leves" — Foto: Tumisu para Pixabay

“Municípios e gestores do SUS deveriam ampliar a oferta de telemedicina para atender pessoas com quadros leves” — Foto: Tumisu para Pixabay

Comunicação clara

Para evitar fake news que assustam a população, a comunicação dos órgãos municipais, estaduais e federais deve ser clara.

A grande falha em relação à campanha de vacinação é a falta de comunicação. O governo precisa usar os recursos do PNI para fazer campanhas maciças de vacinação. Não tem campanha de comunicação por parte do governo. O Estado tem que assumir sua função”, ressalta Salvador.

O infectologista da PUC-Rio Fernando Chapermann ressalta que a pandemia mostrou como vivemos em uma bolha. “Grande parte da população ainda não pegou a informação. Precisamos de informes mais claros: está com febre, dor de garganta e tosse? Procure ajuda”.

“Se a pessoa testar positivo, ela deve ser isolada. Também precisamos frisar a importância da higiene, etiqueta respiratória. Se você está gripado ou com febre, não circule, não vá para o trabalho”, completa Chapermann.

A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) divulgou na quinta-feira (6) que o índice de resultados positivos para a Covid-19 em testes de farmácia triplicou na última semana do ano em comparação aos sete dias anteriores, saltando de 11,8% para 33,3%.

Apesar da explosão de casos de Covid-19 em todo o país, as mortes não devem acompanhar essa curva. “Não há dúvidas que teremos um aumento de mortes, mas não será proporcional ao número de casos e nem ao que aconteceu com o vírus original e muito menos com o que aconteceu com a gama [quando o país chegou a bater 4 mil mortes diárias]. Teremos até uma desproporcionalidade entre casos e mortes”, diz Alexandre Naime.

“Tudo indica que o aumento de casos graves e mortes deve ser proporcionalmente menor porque a nossa população está amplamente imunizada. As hospitalização e mortes vão se concentrar, principalmente, nas pessoas que não estão imunizadas. E o que nos preocupa são as crianças”, completa Gerson Salvador.

Por Mariana Garcia, g1

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