Saúde

Sociedade Brasileira de Imunologia divulga parecer contra uso de medicamentos de maneira precoce

A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) divulgou nesta segunda-feira, 18, um parecer científico contrário ao uso, neste momento, da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. O parecer científico é assinado pelos 17 integrantes do comitê científico e pelos cinco diretores da SBI, presidida pelo cientista Ricardo Gazzinelli, pesquisador da Fiocruz e professor da UFM.

O comitê científico e a diretoria da entidade afirmam que é “precoce” recomendar os dois medicamentos para pacientes do novo coronavírus, pois “diferentes estudos mostram não haver benefícios” e pelos possíveis efeitos adversos graves.

O parecer fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da covid-19.

A entidade ressalta que são necessários estudos com maior abrangência amostral e feitos de forma randômica (em que os pacientes são escolhidos aleatoriamente e apenas metade recebe o tratamento, a fim de comparação).

O parecer científico diz, ainda, que o posicionamento em defesa do amplo uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19 é “perigoso” e “tomou um aspecto político inesperado”. “Nenhum cientista é contra qualquer tipo de tratamento, somos todos a favor de encontrar o melhor tratamento possível, mas sempre com bases em evidências científicas sólidas.”

O texto foi divulgado após o comitê científico da SBI analisar os estudos sobre os efeitos dos dois medicamentos para a covid-19. Ele lembra, por exemplo, que uma das primeiras pesquisas com essa proposta terapêutica – que envolvia o uso associado da hidroxicloroquina à azitromicina – era focada em 36 pacientes, o que seria uma “amostragem pequena e sem grupo de controle para comprovar qualquer resultado definitivo”.

Investimentos

O parecer também ressalta a necessidade de investimento em pesquisas que procuram outras possibilidades terapêuticas e que, até o momento, o isolamento social é a melhor forma de conter a disseminação da doença. “Dados colhidos em vários países do mundo mostram que esta é a única medida efetiva para desacelerar as curvas de crescimento dessa infecção.”

A avaliação de possíveis novas terapias, assim como o reposicionamento de fármacos, têm sido alvo de intensa investigação científica, sendo uma das principais prioridades da comunidade científica mundial. Entretanto, deve ser ressaltado que até o momento não foi descrita nenhuma terapia efetiva para o tratamento da covid-19 que tenha bases sólidas com resultados cientificamente comprovados.”

A entidade ainda cita o recente editorial da revista médica Lancet, que diz que o presidente Jair Bolsonaro é a principal ameaça ao combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil. “Reforçamos que o engajamento da sociedade brasileira é fundamental para superar a grande crise sanitária que estamos vivendo e que a condução para as soluções devem ser fundamentadas em bases científicas multidisciplinares sólidas, como uma política de Estado. “Os medicamentos, usados originalmente contra malária e lúpus, foram aplicados no começo da pandemia em alguns poucos pacientes na China com resultado promissor, foram defendidos por um controverso cientista francês e pelos presidentes Donald Trump (que mudou de posicionamento posteriormente) e Jair Bolsonaro.

Por Redação do Click News

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