Esporte

Pioneiro em Goiânia, Barbies FC luta contra homofobia e mira Champions Ligay

Time é o primeiro formado exclusivamente por homossexuais na cidade e combate o preconceito no esporte: “Futebol não tem gênero, não tem raça, não tem orientação sexual”

Fundado em novembro de 2017, o Barbies FC é o primeiro time gay de futebol em Goiânia. A equipe é recente, mas foi criada para combater um problema antigo e recorrente: o preconceito no esporte. Formado exclusivamente por atletas homossexuais, o time levanta a bandeira da diversidade e do respeito.

O Barbies foi fundado por Jostter Marinho, que além de presidente é também atleta do clube. Segundo ele, o surgimento do time acompanha um movimento que ganhou força no Brasil nos últimos anos e que propiciou a criação de equipes gays em várias cidades.

Conheça mais sobre o Barbies FC, primeiro time gay de GoiâniaConheça mais sobre o Barbies FC, primeiro time gay de Goiânia

– Essa ideia vem do fim de 2016 e cresceu ao longo de 2017. É algo que fortaleceu muito no Brasil ano passado, a partir do surgimento dos times do Rio e de São Paulo. Surgiu com os gays que gostam de jogar futebol, sofriam discriminação e não se sentiam confortáveis no meio hétero, tradicional. Como forma de luta e combate a isso, decidiram criar seus próprios times para ter acesso a esse esporte – conta Jostter.

Champions Ligay

  • principal torneio gay de futebol no Brasil
  • primeira edição foi realizada em 2017
  • Bharbixas, de Belo Horizonte, foi o time campeão
  • em 2018, o torneio terá duas edições: em abril e em novembro
  • em 2018, o número de times subirá de oito para 16

O clube conta atualmente com 26 jogadores e treina duas vezes por semana, na segunda e quinta-feira, durante duas horas cada dia. Antes de competições, essa rotina sobe para três treinamentos.

Em 2018, o Barbies FC vai participar de dois dos principais torneios gays no cenário nacional: a Copa Hornet, em junho, e a Champions Ligay, em novembro. Sem deixar de lado, claro, a luta diária contra a homofobia.

– Futebol não tem gênero, não tem raça, não tem orientação sexual. É para o branco, para o negro, para o rico, para o probre e também para o veado, a bicha.

Diversidade

No elenco do Barbies, há jogadores que estão começando no esporte, mas também alguns que já trilhavam o caminho do futebol. Iago Schumacher é um deles. Aos 25 anos, ele conta que passou pelas categorias de base de clubes da Capital.

– Sempre joguei bola e gostei do esporte. Já joguei em dois clubes de tradição em Goiânia. Vinha parado por conta de lesão e por ter me assumido. Enquanto eu era novo, ainda jogava no meio heteronormativo. Por meio do Josster (Marinho), começamos a formar um time, voltei a jogar e agora estamos com o Barbies FC – comemora.

Time treina duas vezes por semana e mira principal torneio gay do Brasil (Foto: Sebastião Nogueira/O Popular)Time treina duas vezes por semana e mira principal torneio gay do Brasil (Foto: Sebastião Nogueira/O Popular)

Iago ressalta, porém, as adversidades que o time enfrenta. Por conta do preconceito de vários setores, ele conta que ainda é difícil captar atletas e que nem todos se sentem à vontade para assumir a homossexualidade.

– Um time gay não é como um time hétero. Não encontramos peças de reposição muito fácil. Se cada um não se doar e não fizer sua parte, não existe o time. O contingente de pessoas é bem menor. Criar e manter ativo um time gay é muito mais difícil – diz Iago.

Por Guilherme Gonçalves e Victor Hugo Araújo, Goiânia.

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