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Paciente é preso suspeito de xingar de ‘preta nojenta’ médica, em Iporá

Médica Kássia Barcelos, de 27 anos (Foto: arquivo pessoal)

 

Funcionária do Samu, Kássia Barcelos prestava atendimento ao suspeito, e afirma que o homem teria dito que sentia vontade de ‘dar tiro na cara’ dela

Um homem de 43 anos foi preso em flagrante suspeito de cometer injúria racial contra uma médica que prestava atendimento a ele, em Iporá, na região oeste de Goiás. A funcionária do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Kássia Barcelos, de 27 anos, teria dito que foi chamada de “preta, nojenta e feia”.

“Chorei muito, a gente passa por isso a vida inteira, as pessoas falam do cabelo, da pele. Me senti na obrigação de denunciar, por outras pessoas e pelos meus filhos que terei, que serão negros e podem passar por isso”, contou a medica.

A defesa de Jean Cleber Fernandes Costa teria afirmado que não vai se pronunciar sobre o assunto para não interferir no processo. O delegado responsável pelo caso, Eric de Meneses, afirmou que o homem negou ter ofendido a médica.

Em vídeo, a médica explicou que decidiu denunciar após ser orientada pelo namorado e por colegas. O caso aconteceu na segunda-feira (19). O suspeito passou por audiência de custódia e foi liberado na terça-feira (20). O delegado explicou que ele vai responder, em liberdade, por injúria racial e desacato.

“Apesar de ter dito que tinha bebido, ele não apresentava sinais de orientação. Como a médica é uma servidora pública, as ofensas se enquadram como desacato. Se ele for condenado, pode pegar até 3 anos de reclusão por crime de injúria racial 2 anos de detenção por desacato”, explicou.

Atendimento

Kássia Barcelos contou que a equipe do Samu foi acionada, por volta das 6h, para prestar atendimento ao homem no terminal rodoviário da cidade. “Disseram que ele estava inconsciente e fomos ajudá-lo. Quando chegamos lá, ele estava sentado e conversando. Perguntei o que ele estava sentindo, e, desde o início, ele foi ríspido, respondeu ‘vontade de dar um tiro na sua cara’. Continuei o atendimento e ele continuou com essas respostas, como ‘não estou sentindo nada preta feia’. Disse também que eu tenho cabelo ruim”, relembrou.

A médica explicou que, mesmo após as ofensas, ela continuou o atendimento. “Pedi para checar os sinais vitais dele e estava tudo normal. Eu orientei a mulher do guichê, que chamou o Samu, que se ele precisasse de atendimento novamente ela poderia nos chamar que retornaríamos” contou.

Segundo Kássia, ela só se deu conta do ocorrido quando chegou em casa. “Eu me senti ofendida, triste. Fiquei sem chão. Socorremos muitas vítimas em surto, tem certas coisas que a gente ouve e a gente sabe que as pessoas não estão conscientes. Mas ele estava consciente. Eu sou médica, estava prestando atendimento. Imagina o que ele não faz com pessoas que não estão prestando ajuda”, desabafou.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) se pronunciou sobre o assunto e afirmou que espera que o caso seja apurado “com rigor” e que “a lei seja cumprida, com a punição do responsável”. O conselho orientou ainda que os médicos vítimas de violência entrem em contato com o conselho e também denunciem o caso à Polícia Civil.

 

 

 

Com Informações do G1

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