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Visitação recorde em parques nacionais injeta R$ 20 bilhões no PIB brasileiro em 2025

Redação
9 de maio de 2026 às 10:37
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Visitação recorde em parques nacionais injeta R$ 20 bilhões no PIB brasileiro em 2025

Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

Contexto histórico e evolução do turismo em áreas protegidas

O turismo em Unidades de Conservação (UCs) federais no Brasil atingiu um marco histórico em 2025, consolidando-se como um vetor econômico estratégico para o desenvolvimento nacional. Segundo dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o setor movimentou R$ 40,7 bilhões em vendas, gerou R$ 20,3 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) e sustentou 332,5 mil postos de trabalho em todo o país. Esses números representam não apenas um recorde de visitação — com 28,5 milhões de pessoas frequentando as 175 UCs federais abertas à visitação —, mas também um avanço significativo desde a série histórica iniciada em 2000. A trajetória do turismo ecológico no Brasil, entretanto, remonta a décadas anteriores, com marcos como a criação do Parque Nacional do Iguaçu em 1939 e a expansão do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) em 2000, que estabeleceu bases legais para a integração entre conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.

Fatores impulsionadores do crescimento recorde

A escalada de 2025 foi alavancada por múltiplos fatores, segundo análise do ICMBio. O principal deles foi o aprimoramento do sistema de monitoramento da visitação, que permitiu um acompanhamento mais preciso do fluxo de turistas e da alocação de recursos. Investimentos em infraestrutura — como melhorias em trilhas, centros de visitantes e serviços de hospedagem — também foram determinantes. Além disso, a inclusão de novas áreas no sistema de UCs, como o Parque Nacional da Chapada das Mesas (MA) e a ampliação de unidades existentes, contribuiu para diversificar a oferta turística. A valorização dos ambientes naturais no pós-pandemia, por sua vez, impulsionou a demanda por experiências de ecoturismo, com 13,6 milhões de visitas concentradas nos parques nacionais — um crescimento de 8,8% em relação a 2024. Esses elementos combinados explicam o salto de 12,5 milhões para 13,6 milhões de visitas nos parques nacionais, consolidando-os como protagonistas do setor.

Impacto econômico e social: números que transcendem a conservação

Os dados revelam uma relação custo-benefício excepcional para a gestão pública. Para cada R$ 1 investido no ICMBio, o estudo aponta a geração de R$ 16 em valor agregado ao PIB e R$ 2,30 em arrecadação tributária. Em 2025, o turismo em UCs gerou quase R$ 3 bilhões em impostos — um montante superior ao dobro do orçamento anual do órgão, que foi de R$ 1,4 bilhão. A distribuição desses recursos beneficiou diretamente 1.200 municípios localizados no entorno das UCs, onde foram criados empregos formais em serviços como guias turísticos, restaurantes e pousadas. Além disso, a atividade turística nessas áreas contribuiu para a redução do êxodo rural em regiões como a Amazônia e o Pantanal, onde comunidades tradicionais passaram a atuar como agentes de conservação e turismo comunitário. A renda gerada, estimada em R$ 12,4 bilhões, também impulsionou a economia local, com efeitos multiplicadores que se estendem para além dos limites das unidades.

Declarações oficiais reforçam o valor estratégico das UCs

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que os números comprovam o potencial econômico das áreas protegidas. “As Unidades de Conservação não são fundamentais apenas para a regulação dos ciclos hidrológicos e do clima, proteção da biodiversidade e do controle do desmatamento, mas contribuem expressivamente para o desenvolvimento da nossa economia em bases sustentáveis”, afirmou. Desde 2023, o governo federal criou ou ampliou 20 UCs, totalizando mais de 1,7 milhão de hectares protegidos. Capobianco enfatizou que o cuidado com essas áreas é essencial para garantir tanto a preservação ambiental quanto o crescimento econômico equilibrado.

O presidente do ICMBio, Mauro Pires, complementou a análise ao ressaltar o papel do turismo de natureza como ferramenta de desenvolvimento regional. “Os resultados mostram que as unidades de conservação, como parques nacionais, são estratégicas para o Brasil. Tivemos recorde de visitação e dados robustos de geração de emprego, renda e arrecadação, o que só reforça que investir em conservação da natureza e na vivência das pessoas nas áreas naturais gera benefícios econômicos, saúde e qualidade de vida”, declarou Pires. Segundo ele, os números de 2025 servem como base para novos projetos de expansão do turismo em UCs, com foco em regiões ainda pouco exploradas, como a Caatinga e o Cerrado.

Ranking das unidades mais visitadas: destaque para a Mata Atlântica e Amazônia

O ranking das UCs mais frequentadas em 2025 é liderado pelo Parque Nacional da Tijuca (RJ), que registrou 3,2 milhões de visitas — um crescimento de 15% em relação a 2024. Em segundo lugar, o Parque Nacional do Iguaçu (PR) acumulou 2,1 milhões de turistas, impulsionado pela retomada do fluxo internacional e pela conclusão de obras de modernização do centro de visitantes. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), terceiro colocado, atingiu 1,8 milhão de visitas, com destaque para o turismo de aventura e as formações rochosas icônicas da região. Atrás deles, completam o top 5 o Parque Nacional de Fernando de Noronha (PE), com 1,5 milhão de visitas, e o Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), que alcançou 1,2 milhão. Essas unidades, localizadas em biomas críticos como a Mata Atlântica e a Amazônia, demonstram que a conservação ambiental pode coexistir harmonicamente com o desenvolvimento econômico local.

Desafios e perspectivas para o futuro do ecoturismo no Brasil

Apesar dos resultados positivos, especialistas apontam desafios que precisam ser enfrentados para sustentar o crescimento. A infraestrutura ainda é insuficiente em algumas UCs, com gargalos em transporte, saneamento e segurança nos entornos. Além disso, a sazonalidade da visitação — concentrada em períodos de férias — exige planejamento para evitar sobrecarga em épocas de pico e ociosidade em outros momentos. A capacitação de profissionais locais para atuar no setor também é uma prioridade, segundo o ICMBio, que tem investido em cursos de guias turísticos e gestão de negócios sustentáveis. Outro ponto crítico é a necessidade de políticas públicas que integrem o turismo em UCs a programas de conservação, como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que já beneficia comunidades no entorno de unidades como a Floresta Nacional do Tapajós (PA).

As perspectivas para 2026 incluem a ampliação do programa “Visitantes na Natureza”, que prevê a abertura de novas trilhas interpretativas e a digitalização de sistemas de agendamento para reduzir filas e melhorar a experiência do turista. O ICMBio também estuda parcerias com o setor privado para desenvolver projetos de ecoturismo de luxo em UCs, como a implantação de lodges sustentáveis em áreas como a Serra do Espinhaço (MG) e a Ilha Grande (RJ). Segundo o órgão, o objetivo é diversificar a oferta e atrair um público disposto a pagar mais por experiências exclusivas, sem comprometer a integridade ambiental das unidades.

Conclusão: um modelo a ser replicado

Os dados de 2025 consolidam o turismo em Unidades de Conservação como um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, capaz de aliar preservação ambiental, geração de renda e inclusão social. A combinação de investimentos públicos, engajamento comunitário e valorização dos ativos naturais criou um ciclo virtuoso que beneficia não apenas o PIB nacional, mas também a qualidade de vida das populações locais. À medida que o Brasil avança na agenda de desenvolvimento sustentável, as UCs emergem como laboratórios vivos desse modelo, demonstrando que a conservação da natureza não é um custo, mas um investimento com retorno tangível. Para os próximos anos, o desafio será garantir que esse crescimento seja inclusivo, equitativo e ambientalmente responsável, transformando o ecoturismo em um pilar permanente da economia verde brasileira.

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