Passar horas sentado em avião, ônibus ou carro favorece formação de coágulos nas pernas; movimentação frequente e meias elásticas são medidas recomendadas
O que é a trombose do viajante
Além de ser desconfortável, ficar horas sentado durante uma viagem longa pode causar trombose. A trombose venosa profunda (TVP) ocorre quando um coágulo (trombo) se forma em uma veia e dificulta ou impede a circulação do sangue na região. As pernas são as mais afetadas.
A chamada “trombose do viajante” surge após períodos prolongados de imobilidade durante viagens —seja de avião, ônibus, carro ou trem—, afirma Breno Caiafa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Nacional (SBACV).
Quando a pessoa fica sentada ou parada na mesma posição por muitas horas, “a musculatura da panturrilha deixa de atuar adequadamente como uma bomba que impulsiona o sangue de volta ao coração”, explica Caiafa. “Então o sangue circula mais lentamente nas pernas, favorecendo a formação do coágulo.”
Viagens de avião aumentam esse risco devido à altitude e à pressão na cabine, que tem concentração de oxigênio mais baixa, equivalente a uma altitude de 2.200 metros. É o que explica Caio Focássio, cirurgião e médico-assistente de cirurgia vascular da Santa Casa de São Paulo.
Grupos de maior risco
Especialistas afirmam, no entanto, que a chance de desenvolver trombose venosa profunda durante uma viagem é baixa para pessoas saudáveis. Devem tomar mais cuidado pessoas com casos anteriores ou histórico familiar, gestantes, quem toma anticoncepcional, recém-operados, com mobilidade reduzida ou idade avançada, por exemplo.
“A trombose geralmente ocorre por uma soma de fatores, não por um fator único”, diz Focássio. A viagem é um adicional. Obesidade, tabagismo e sedentarismo influenciam no desenvolvimento da condição. Nesses casos, vale consultar um médico antes do passeio.
Há ainda o risco de o trombo se desprender e chegar ao pulmão, o que pode provocar uma embolia pulmonar, condição grave que pode matar, alertam os médicos.
A preocupação com a doença motivou a criação do Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, celebrado nesta quarta-feira (16).
Medidas preventivas durante o deslocamento
Para prevenir a “trombose do viajante”, a dica número 1 é se movimentar durante a viagem, dizem os especialistas. Caminhar por alguns minutos a cada uma ou duas horas. No avião, andar pelo corredor. Em trajetos de carro, fazer paradas periódicas.
O mais importante é manter a panturrilha em movimento. Ao se levantar, você ativa a musculatura e faz o sangue circular, diz Marcos Arêas Marques, médico angiologista do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (Unirio).
Mexer pés, tornozelos e panturrilhas, mesmo que sentado no mesmo lugar, já ajuda. O vice-presidente da SBACV recomenda fazer movimentos circulares com os pés e contrair repetidamente as panturrilhas. E aconselha: evite dormir durante muitas horas seguidas em uma posição que limite os movimentos.
O assento no corredor é a melhor opção, afirmam os médicos, pois facilita a mobilidade. Outra dica é evitar colocar bagagens sob o assento da frente se isso reduzir o espaço para as pernas.
Hidratação e vestuário adequado
A cabine do avião é mais seca, e muita gente tem o costume de beber álcool para relaxar durante o voo, observa Marques. Essa combinação, ele diz, faz o sangue ficar mais concentrado. Por isso, o recomendado é manter-se hidratado, sobretudo se ingerir bebida alcoólica, café ou chá, recomenda.
Em relação ao look de viajante, dê preferência a roupas confortáveis e deixe de lado peças apertadas. Meias elásticas ajudam na prevenção da trombose e são eficazes sobretudo para quem reúne fatores de risco. As meias que chegam próximo do joelho (três quartos) são indicadas para trajetos prolongados.
Quanto às meias de compressão, Caiafa, da SBACV, afirma que é importante ter avaliação médica especializada para definir tamanho e modelo apropriados. Uma meia inadequada pode ficar apertada, dobrar ou produzir compressão localizada, ele diz.
Sintomas e tratamento
Sentir dor em uma das pernas é o principal sintoma da trombose. Outros sinais incluem inchaço de uma perna, dor ou sensibilidade na panturrilha ou na coxa, aumento da temperatura local e alteração da coloração da pele. A depender do estágio do quadro, o tratamento é clínico ou cirúrgico. (Fonte: Folhapress)




