Descompasso entre reajustes e inflação corrói benefício
A erosão do poder de compra do vale-refeição atingiu um novo patamar em 2026. Segundo dados da Pluxee, o benefício passou a cobrir nove dias úteis por mês no primeiro semestre, ante dez em 2025 — uma redução de 4,4% que reflete a disparidade entre o reajuste médio do crédito (1,5%) e o avanço de 4,3% no custo da alimentação, que atingiu R$ 44,69 por refeição.
O desequilíbrio torna-se mais evidente quando o saldo se esgota: os trabalhadores precisam arcar com R$ 589 adicionais por mês, valor equivalente a 101% do crédito médio de R$ 583,75. Essa situação agrava a já crítica perda de poder aquisitivo do benefício, que em 2019 cobria 18 dias úteis, caindo para 13 em 2022, 11 em 2023 e dez nos anos de 2024 e 2025.
Desigualdade regional: Maranhão e Roraima lideram queda; Minas Gerais resiste
A disparidade regional aprofunda a crise. Enquanto estados como Minas Gerais mantiveram 13 dias de cobertura, Rio de Janeiro e São Paulo registraram 12 dias. Na outra ponta, Roraima (seis dias) e Maranhão (sete dias) enfrentam a situação mais crítica, com saldos que mal cobrem metade do mês útil. Essa fragmentação expõe a fragilidade do sistema de benefícios corporativos frente à inflação assimétrica entre as regiões.
Risco de insegurança alimentar e impacto na economia
A redução do vale-refeição não apenas pressiona o orçamento doméstico, mas também eleva o risco de insegurança alimentar entre trabalhadores de baixa renda. Em um cenário de alta dos preços de alimentos básicos, a incapacidade de cobrir despesas essenciais pode reduzir o poder de compra em até 18% nos estados mais afetados, segundo estimativas de analistas independentes.
Para setores como o de varejo e alimentação, a queda na demanda por refeições subsidiadas pode gerar um efeito cascata, com redução de 2% a 4% no faturamento de restaurantes em regiões de maior vulnerabilidade, conforme projeções de consultorias especializadas.




