O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, empreendeu esforços para convencer o deputado federal Eduardo Bolsonaro a endossar a candidatura de André do Prado ao Senado por São Paulo, sob a justificativa de que a trajetória do presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) nos últimos quatro anos representa uma vantagem estratégica para a direita no pleito.
Segundo interlocutores próximos ao diálogo, Costa Neto apresentou a Eduardo Bolsonaro um diagnóstico detalhado da gestão de Prado na Alesp, classificando-a como uma “verdadeira máquina política” capaz de mobilizar recursos e alianças decisivas para a eleição de dois senadores pela legenda. A argumentação incluiu projeções de que Prado, ao ser lançado como pré-candidato, poderia angariar até 30% dos votos apenas por ser o nome apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Estratégia eleitoral: divisão de votos e risco de perda de cadeira
A candidatura de Prado, conforme delineada por Costa Neto, visa concentrar o voto municipalista por meio de uma base aliada composta por prefeitos, enquanto o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), mais alinhado à ala ideológica do bolsonarismo, ficaria responsável por atrair o eleitorado de perfil conservador. Essa divisão foi apresentada como necessária para evitar que a fragmentação do voto de direita abra espaço para a eleição de um candidato de esquerda ao Senado paulista.
Eduardo Bolsonaro, que acertou sua posição como suplente de Prado na chapa, teria sido convencido de que a união em torno do presidente da Alesp minimizaria os riscos de dispersão do eleitorado bolsonarista, garantindo a manutenção da representação da direita no Senado pelo estado.
Reunião nos EUA e articulação política
Fontes indicam que Valdemar Costa Neto esteve pessoalmente com Eduardo Bolsonaro em 21 de abril, nos Estados Unidos, para reforçar o pedido de apoio à candidatura de Prado. A interlocução direta, segundo relatos, teve como objetivo alinhar interesses entre as alas do PL e da família Bolsonaro, especialmente após divergências anteriores sobre a condução de estratégias eleitorais.
A articulação ocorre em um contexto de tensões internas no PL, onde a definição de candidatos ao Senado em estados-chave, como São Paulo, é vista como crítica para a consolidação da legenda nas eleições de 2026. A decisão final, no entanto, ainda depende de negociações adicionais com outras lideranças partidárias e possíveis ajustes na composição das chapas.
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