A comercialização de motocicletas no Brasil registrou expansão de 15,3% em abril na comparação anual, totalizando 210,6 mil unidades vendidas, conforme dados consolidados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O desempenho superou as expectativas do setor, embora tenha apresentado recuo de 5% em relação a março, quando foram comercializadas 221,7 mil unidades.
No acumulado de janeiro a abril, o setor contabilizou 782,5 mil motocicletas vendidas, representando crescimento de 19,2% frente ao mesmo período de 2023. A trajetória ascendente reflete a crescente demanda por soluções de mobilidade individual, especialmente em meio ao fortalecimento do mercado de entregas por aplicativos e à busca por alternativas de transporte mais acessíveis em um cenário econômico desafiador.
Setor automotivo: motocicletas superam vendas de carros de passeio pela primeira vez no ano
Pela primeira vez em 2024, as motocicletas consolidaram-se como o segmento mais comercializado no segmento automotivo, com 782,5 mil unidades vendidas nos quatro primeiros meses do ano. O volume supera em 123,2 mil unidades as 659,3 mil unidades de carros de passeio registradas no mesmo período, segundo balanço da Fenabrave. Especialistas do setor atribuem o fenômeno à combinação de fatores macroeconômicos, como a alta dos preços dos combustíveis e a manutenção de taxas de juros elevadas, que tornam as motocicletas uma opção mais viável para a população.
Expansão do delivery e crise de mobilidade urbana impulsionam demanda
O crescimento das vendas de motocicletas está diretamente ligado à expansão dos serviços de entrega por aplicativos de delivery, que registraram aumento de 28% no número de entregadores autônomos no último ano, segundo estimativas do setor. Além disso, a crise de mobilidade urbana em grandes centros urbanos, agravada pelo aumento do custo do transporte público e pelos congestionamentos recorrentes, tem levado os consumidores a optar por veículos de duas rodas como alternativa de deslocamento.
Arcélio Junior, presidente da Fenabrave, destacou que as motocicletas passaram a ocupar a posição de segundo veículo nas famílias brasileiras, especialmente nas classes C e D, onde o custo de aquisição e manutenção é significativamente menor em comparação aos automóveis convencionais. “A moto não é mais um produto de nicho, mas sim uma solução de mobilidade para milhões de brasileiros que buscam praticidade e economia”, afirmou.
Impacto econômico: retomada do setor e perspectivas para o segundo semestre
O desempenho do setor de motocicletas tem reflexos diretos na cadeia produtiva do país, com impacto positivo em segmentos como fabricação de peças, financiamento e geração de empregos. Segundo projeções da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o mercado deve manter ritmo de crescimento no segundo semestre, embora em ritmo menos acelerado, em virtude da sazonalidade e da possível normalização dos preços dos combustíveis.
Analistas do mercado financeiro alertam, contudo, para a necessidade de monitoramento de fatores externos, como a política monetária do Banco Central e a evolução do câmbio, que podem influenciar tanto os custos de produção quanto o poder de compra dos consumidores. A manutenção das altas taxas de juros, embora benéfica para a contenção da inflação, segue como um obstáculo à expansão ainda maior do setor.
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