Campanhas sob fogo cruzado: litigância eleitoral atinge recorde em 2026
Às vésperas do pleito de outubro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prepara-se para um cenário de alta tensão judicial, com projeções de um volume recorde de ações envolvendo diretamente as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo estimativas internas, o tribunal deve receber um número de processos até 300% superior ao registrado em pleitos anteriores, refletindo não apenas a polarização política, mas também a sofisticação das estratégias de disputa — especialmente no que tange ao uso de tecnologias emergentes e à disseminação de desinformação.
Inteligência artificial e perfis falsos: os novos campos de batalha eleitoral
Entre os principais alvos das ações judiciais estão alegações de manipulação de conteúdo por meio de inteligência artificial, com a geração de áudios, vídeos ou textos sintéticos destinados a deslegitimar adversários. A prática, ainda em fase de regulamentação, já foi objeto de representações em eleições municipais e estaduais recentes, mas ganha contornos inéditos em um pleito presidencial. Além disso, o TSE deve enfrentar uma enxurrada de denúncias sobre a criação de perfis falsos em redes sociais, utilizados para propagar inverdades e exacerbar a polarização. A Justiça Eleitoral, que tradicionalmente lida com casos de propaganda irregular ou pedido de votos antecipados, vê-se agora obrigada a expandir sua atuação para abarcar crimes cibernéticos e violações de leis eleitorais específicas.
Inelegibilidade de Bolsonaro: especulação que alimenta a judicialização
A sombra da inelegibilidade de Flávio Bolsonaro, decorrente de decisões judiciais anteriores, segue como um fator agravante na escalada de litígios. Embora o senador não seja candidato à Presidência em 2026, sua eventual participação em chapas ou sua influência na campanha do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mantêm o tema como pauta recorrente nas ações protocoladas no TSE. A Justiça Eleitoral, que já enfrentou pressões similares em 2022 com a candidatura de Lula sob acusações de inelegibilidade, deve novamente ser chamada a arbitrar disputas que transcendem o âmbito meramente processual, impactando diretamente o cronograma eleitoral e a estratégia das campanhas.
Estratégias do TSE: entre a morosidade e a urgência de julgar
Para lidar com a avalanche projetada, o TSE anunciou a criação de câmaras especializadas e a priorização de casos que possam afetar diretamente o pleito, como aqueles relacionados a registro de candidaturas ou propaganda irregular. No entanto, a morosidade histórica da Justiça brasileira — agravada pela complexidade técnica das novas formas de litigância — levanta dúvidas sobre a capacidade do tribunal de julgar todas as demandas a tempo de não comprometer a lisura do processo eleitoral. Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que a demora em solucionar conflitos pode gerar um efeito dominó, com campanhas recorrendo a instâncias superiores ou até mesmo ao Supremo Tribunal Federal (STF), prolongando a incerteza até o dia da votação.




