Com a conclusão oficialmente reconhecida pela Prefeitura, o Alto das Nações torna-se o primeiro edifício paulistano a superar 200 metros; torre corporativa deve ser inaugurada até o fim deste semestre
A paisagem urbana de São Paulo ganhou um novo protagonista. Com 219 metros de altura, a Torre Alto das Nações teve a conclusão das obras reconhecida em 30 de junho, após a emissão do “habite-se” pela administração municipal, e passou a ocupar oficialmente o posto de edifício mais alto da capital paulista. Apesar da certificação, serviços de acabamento ainda são executados no empreendimento.
Localizado na Avenida das Nações Unidas, em Santo Amaro, na zona sul, o arranha-céu integra o eixo empresarial formado pela Marginal Pinheiros e pela Avenida Doutor Chucri Zaidan. A torre corporativa e a praça de convivência do complexo devem ser abertas ainda neste semestre, embora uma data específica não tenha sido divulgada.
Com quase 50 metros a mais que o Platina 220, no Tatuapé, o novo recordista é o primeiro prédio da cidade a ultrapassar a barreira dos 200 metros. O edifício da zona leste, com 171,7 metros, ocupava anteriormente o topo do ranking paulistano.
Escritórios, mirante e caixa de vidro suspensa
Projetada para uso corporativo, a Torre Alto das Nações reúne 39 pavimentos destinados a escritórios, com pé-direito superior a quatro metros. A estrutura também possui quatro níveis elevados de garagem, térreo com 8,5 metros de altura e uma área de observação no topo.
Uma das principais atrações será o mirante aberto à visitação, com visão panorâmica de 360 graus da cidade. O espaço contará ainda com uma caixa de vidro projetada para fora da estrutura, permitindo que os visitantes observem a paisagem urbana sobre uma plataforma transparente suspensa. A instalação terá aproximadamente 16 metros quadrados e capacidade estrutural estimada em 300 quilos por metro quadrado.
A expectativa é que aproximadamente 10 mil pessoas circulem diariamente pelo edifício depois do início pleno das operações. A maior parte das lajes corporativas pertence à Altre, empresa ligada ao Grupo Votorantim, que iniciou a divulgação dos espaços disponíveis para locação.
O Carrefour Property, responsável pela administração do complexo imobiliário, informou que as conversas com potenciais ocupantes já começaram. “A expectativa é positiva diante do potencial da região”, declarou a empresa.
Complexo ocupa área histórica do varejo brasileiro
A torre foi erguida no terreno onde funcionou a primeira unidade do Carrefour no Brasil. O local passou por uma ampla transformação imobiliária e deu origem ao Paseo Alto das Nações, empreendimento de uso misto que reúne comércio, serviços, áreas residenciais, escritórios e espaços de convivência.
A primeira etapa do complexo foi entregue em novembro de 2022, com supermercado, restaurantes, estabelecimentos comerciais e uma torre que combina unidades residenciais e ambientes de trabalho. O espaço também possui um parque com cerca de 32 mil metros quadrados de área verde e acesso à Estação Granja Julieta, da Linha 9-Esmeralda.
A conclusão da torre residencial e do teatro está prevista para uma nova fase do projeto. Quando todas as etapas estiverem finalizadas, o complexo deverá alcançar aproximadamente 320 mil metros quadrados de área construída.
Fachada espelhada transforma torre em novo marco visual
Assinado pelo arquiteto Jonas Birger, o projeto buscou reduzir a aparência de uma estrutura excessivamente pesada, apesar das dimensões monumentais. Recortes geométricos, ângulos marcados, terraços e áreas verdes foram incorporados à fachada para conferir movimento ao edifício.
Birger afirma que o revestimento espelhado faz com que a aparência da torre mude conforme as condições de iluminação. “Conforme está o céu, a cor fica diferente, sempre muito suave”, declarou. Segundo ele, a composição arquitetônica foi pensada para evitar um “bloco muito maciço e desumano”.
A chamada “pele de vidro” também permite que os ambientes corporativos tenham visão ampla da cidade, do piso ao teto. Duas jardineiras instaladas na fachada formam linhas de vegetação e abrigam espécies com raízes adaptadas à intensidade dos ventos nas grandes alturas.
“Desde os primórdios da humanidade, a gente quer subir, quer ir para o alto”, afirmou Birger. “A torre mostra a importância.”
Engenharia considera impacto dos ventos
A altura do empreendimento exigiu estudos específicos sobre a incidência de ventos, conduzidos com a participação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. A análise orientou o desenvolvimento de uma estrutura com pequena capacidade de movimentação, característica comum em grandes arranha-céus.
Essa flexibilidade controlada evita que o prédio se comporte como uma estrutura totalmente rígida diante de rajadas intensas. O recurso é utilizado para distribuir forças e reduzir os efeitos provocados pela pressão do vento nos pontos mais elevados.
Novo ciclo de verticalização avança pela Marginal Pinheiros
Durante décadas, os edifícios mais altos de São Paulo permaneceram concentrados na região central. O Mirante do Vale, inaugurado na década de 1960, manteve o recorde da cidade por cerca de 55 anos. A liderança começou a mudar com a expansão imobiliária do Tatuapé, onde foram construídos o Figueira Altos do Tatuapé e o Platina 220.
Agora, o crescimento vertical desloca-se para áreas próximas à Marginal Pinheiros, especialmente nos corredores empresariais da Chucri Zaidan e da Berrini. A região está inserida em zonas urbanísticas que permitem maior adensamento e incentivam empreendimentos próximos a sistemas de transporte coletivo.
Além de liderar o ranking da capital, o Alto das Nações passa a ser considerado o maior edifício de escritórios do Brasil, superando o Órion Complex, de Goiânia, com 191 metros. Na classificação nacional que inclui torres residenciais, entretanto, ocupa a sexta colocação, atrás de cinco arranha-céus construídos em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.




