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TJSP desanca R$ 184 milhões em penduricalhos em maio, mas esconde dados de junho do CNJ

Redação
9 de julho de 2026 às 07:52
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TJSP desanca R$ 184 milhões em penduricalhos em maio, mas esconde dados de junho do CNJ

Tribunal de Justiça de São Paulo deixou de comunicar ao Conselho Nacional de Justiça os pagamentos relativos ao mês de junho. Foto: Paulo Santana / TJSP

 Medida visa garantir maior transparência e controle nos gastos do poder judiciário

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) registrou em maio de 2026 o maior gasto mensal com “penduricalhos” para magistrados entre os tribunais estaduais do país: R$ 184,4 milhões. O montante, repassado a juízes e desembargadores no primeiro mês em que vigoravam os novos tetos definidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), representa um recorde desde a implementação das regras.

A decisão do STF, proferida em 2025, estabeleceu limites rígidos para verbas extras da magistratura a partir de abril de 2026 — com impacto imediato nos pagamentos de maio. No entanto, dados preliminares obtidos pela CNN indicam que o TJSP não reportou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) os valores relativos a junho de 2026, conforme determina a legislação. A omissão, verificada em levantamento com base no Portal de Remuneração da Magistratura do CNJ, reforça críticas sobre a falta de transparência em órgãos judiciais.

Penduricalhos sob fiscalização: STF impõe teto e TJSP lidera gastos

A apuração da CNN considerou rubricas como direitos pessoais, indenizações e verbas eventuais — categorias tradicionalmente associadas aos “penduricalhos”. Em maio de 2026, o TJSP superou todos os demais tribunais estaduais cujos dados estão disponíveis no CNJ, consolidando-se como o maior gastador nesse quesito. O valor representa um aumento expressivo em relação aos meses anteriores, quando os pagamentos não eram submetidos aos novos limites.

Transparência em xeque: CNJ pode agir sobre omissão do TJSP

O não repasse das informações referentes a junho de 2026 ao CNJ configura uma irregularidade grave. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a ausência de dados pode atrasar fiscalizações e abrir brechas para o desrespeito às normas do STF. O CNJ, responsável por supervisionar a transparência dos tribunais, ainda não se pronunciou sobre o caso, mas a situação coloca o TJSP no centro de um debate sobre a efetividade das medidas anticorrupção no Judiciário.