Corrida por reservas estratégicas
O Brasil experimentou um crescimento exponencial na busca por terras-raras nos últimos três anos, com 2.162 processos de pesquisa mineral registrados desde 2023, conforme levantamento do Poder360 com base em dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) até janeiro de 2026. O número representa um salto de 528% em relação aos 343 processos totais registrados desde 1975, indicando uma corrida sem precedentes por áreas potencialmente viáveis economicamente.
Falta de maturidade operacional
Apesar do avanço nos estudos preliminares, o país mantém apenas oito concessões de lavra ativas para terras-raras, todas localizadas no estado de Goiás e vinculadas à Serra Verde — única empresa com produção comercial relevante no segmento. A disparidade entre o volume de pesquisas e a capacidade de extração comercial evidencia um gargalo estrutural: a ausência de um ecossistema maduro para transformar descobertas em operação produtiva.
Fatores impulsionadores da demanda
Segundo Pablo Cesário, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a recente onda de interesse por terras-raras está diretamente relacionada a mudanças regulatórias implementadas nos últimos anos, que facilitaram a obtenção de autorizações de pesquisa. Além disso, o contexto geopolítico global — com a China controlando cerca de 80% da produção mundial — tem intensificado a busca por alternativas, especialmente em nações como o Brasil, detentor da segunda maior reserva global do insumo, estimada em 21 milhões de toneladas.
Desafios além da regulação
Ainda que o arcabouço legal tenha se tornado mais ágil, especialistas apontam que outros obstáculos persistem: a complexidade técnica na separação dos elementos de terras-raras, a necessidade de investimentos em infraestrutura logística em regiões remotas e a dependência de cadeias globais de suprimento para equipamentos e tecnologias. Sem resolver esses entraves, o Brasil corre o risco de transformar sua abundância geológica em uma oportunidade desperdiçada.




