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Super El Niño coloca setor agropecuário em alerta

João
7 de julho de 2026 às 06:50
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Super El Niño coloca setor agropecuário em alerta

Agência Americana confirmou a ocorrência do fenômeno e prevê uma probabilidade de mais de 60% de chuvas intensas durante novembro deste ano a janeiro de 2027.  Foto: NOAA

Produtores temem impactos climáticos e custos elevados de crédito

Riscos climáticos para a safra

A confirmação de um novo Super El Niño para este ano tem intensificado a preocupação dos produtores rurais com a safra 2026/2027. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima mais de 60% de probabilidade de chuvas intensas entre novembro e janeiro de 2027. O cenário gera receio quanto ao aumento dos preços dos alimentos e pressões adicionais sobre a economia.

Culturas como o café e o milho estão entre as mais vulneráveis. O calor excessivo e a seca prolongada em regiões como o sul de Minas, o Cerrado mineiro e o interior paulista podem comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos. Já o milho, sensível à escassez de chuvas, corre risco de perdas significativas na segunda safra.

Por outro lado, chuvas intensas no Sul e Sudeste podem afetar diretamente o arroz e o feijão, elementos centrais da dieta brasileira, ambos suscetíveis a enchentes e irregularidades pluviométricas.

Avaliação da Sociedade Rural Brasileira

Patrícia Arantes, diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira (SRB), destacou que os impactos variam conforme a região e a cultura agrícola: “Contudo, para o café, há necessidade de atenção, pois pode afetar parte da produção brasileira.”

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta déficit global de 22 milhões de toneladas de milho e de 5 milhões de toneladas de trigo na próxima safra, além de restrições na oferta internacional de grãos.

Arantes também ressaltou que algumas culturas podem se beneficiar, como o açúcar, devido à redução da produção em países concorrentes, como a Índia. “Além disso, nenhuma das grandes commodities negociadas em bolsa, como soja, milho, algodão, açúcar, etanol e proteínas, tem o prêmio embutido nos contratos futuros, então será importante acompanhar os próximos meses.”

Crédito rural sob pressão

O impacto climático também preocupa o setor financeiro. O governo federal lançou o Plano Safra 2026/2027, prevendo R$ 525,1 bilhões em crédito para médios e grandes produtores — aumento de apenas 1,7% em relação ao ciclo anterior.

O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) anunciou R$ 70 bilhões para crédito rural nos próximos 12 meses, crescimento de 18% sobre o período anterior. Rafael Santana, gerente institucional de Agronegócio do Sicoob, explicou: “É um crescimento percentual bem robusto, mas já contando que pode ter alguns problemas em algumas áreas. Então, nesse modelo, o avanço poderia ter sido até maior.”

Juros elevados e inadimplência

O superintendente financeiro do Sicoob, Tobias Fragoso, destacou os efeitos da taxa de juros: “Os juros altos significam despesa financeira para o tomador e a gente sabe que não são todos os segmento que possuem margens elevadas para se manterem em juros elevados, então ele é, sim, um inibidor e, por mais que tenha caído, a gente considera uma taxa de juros elevada, mas o produtor precisa dessas linhas.”

Debate sobre refinanciamento

O Projeto de Lei (PL) 5122/2023, aprovado na Câmara e em análise no Senado, cria linha especial de refinanciamento para produtores afetados por eventos climáticos e crises internacionais. Os recursos viriam do Fundo Social do Pré-Sal e de superávits de fundos da Fazenda.

A equipe econômica do governo considera o projeto uma “pauta-bomba”, com impacto fiscal estimado em R$ 140 bilhões em dez anos. Já a SRB defende que o texto possui critérios técnicos claros, como comprovação de queda de 30% da renda bruta esperada e restrição a dívidas contratadas até dezembro de 2025.

Arantes reforçou: “Aqui a preocupação da Fazenda tem fundamento técnico, e ignorá-la enfraqueceria qualquer defesa séria do projeto.” Ela acrescentou que o custo seria administrável e que o texto prevê mecanismos de acompanhamento.

Uma emenda no Senado determina que o Executivo publique relatório anual detalhando operações, custos das subvenções e impacto fiscal. Para Arantes, isso garante transparência: “Um programa com relatório de transparência embutido é o oposto da imagem de gasto incontrolável que o rótulo evoca, portanto o texto não se configura como ‘bomba fiscal’, como o governo quer incutir, mas em estratégica técnica de política econômica.”

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