André Mendonça deve negar o pedido da Procuradoria-Geral da República para remeter o caso à primeira instância
O Supremo Tribunal Federal (STF) mantém sob análise dois inquéritos contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A decisão dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, responsáveis pelas apurações, reforça a competência da Corte para julgar os casos, ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha pleiteado a redistribuição para instâncias inferiores.
Mendonça mantém inquérito sob sua relatoria
O ministro André Mendonça, relator de um dos inquéritos que apuram possível tráfico de influência praticado por Lulinha no governo federal, decidiu não acatar o pedido da PGR para redistribuir o caso à primeira instância. Segundo interlocutores próximos ao magistrado, a decisão baseia-se na prevenção — critério que vincula a relatoria a processos conexos já em tramitação no STF. A postura contrasta com a manifestação anterior da PGR, que, em julho de 2026, havia se posicionado favoravelmente ao sorteio da relatoria entre os ministros da Corte.
Dino segue o mesmo caminho
Paralelamente, o ministro Flávio Dino, responsável por outra investigação contra Lulinha, também sinalizou que manterá o processo em sua relatoria. A decisão, ainda não formalizada, alinha-se à tendência de centralizar no STF apurações que envolvem figuras políticas de alto relevo. Especialistas consultados destacam que a estratégia pode acelerar os desdobramentos processuais, mas também expõe o tribunal a críticas sobre a concentração de competências.
PGR justifica divergência processual
Um assessor do procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não há contradição nas manifestações da PGR. Segundo ele, as posições distintas — uma favorável ao sorteio e outra à prevenção — referem-se a fases distintas do processo. Enquanto a primeira abordava a distribuição inicial, a segunda trata da competência definitiva do STF para julgar o caso. A justificativa, no entanto, não afastou a perplexidade de setores jurídicos, que questionam a coerência das estratégias processuais da PGR.




