Luiz Fux antecipou voto e acompanhou posição de André Mendonça pela manutenção das prisões de Henrique e Felipe Vorcaro
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu mais um passo decisivo no caso Master ao confirmar, neste sábado (23), a manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, pai e primo, respectivamente, de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Com o voto do ministro Luiz Fux, a Segunda Turma do tribunal soma dois votos favoráveis à continuidade da custódia da dupla, alinhando-se ao entendimento do relator, ministro André Mendonça.
A decisão que reforça o cerco à família Vorcaro
Henrique Vorcaro, empresário do setor de infraestrutura em Minas Gerais e fundador do Grupo Multipar, foi detido na semana passada durante a sexta fase da Operação Compliance Zero. Já Felipe Cançado Vorcaro, identificado como o “cérebro operacional” do núcleo financeiro do banco, cumpre prisão desde 7 de maio, quando a mesma operação cumpriu mandados em fase anterior. As investigações, que apuram suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, ganham agora um reforço na jurisprudência do STF.
Henrique Vorcaro e a suspeita de integrar uma ‘milícia privada’
As suspeitas contra Henrique Vorcaro vão além de seu suposto envolvimento em transações financeiras suspeitas. Segundo a Polícia Federal, ele figura entre os beneficiários diretos dos recursos movimentados pelo filho, Daniel Vorcaro, com depósitos diretos em sua conta bancária. Além disso, Henrique é investigado por integrar uma estrutura batizada pela PF de “A Turma”, descrita como uma milícia privada usada para intimidar adversários e jornalistas. A prisão de uma delegada da PF na mesma operação reforça a tese de que o grupo operava em rede.
Felipe Vorcaro: o elo financeiro do esquema
Felipe Cançado Vorcaro, sócio de 14 empresas, é apontado pela PF como o principal articulador do núcleo financeiro do Banco Master. Em decisão que autorizou fase anterior da operação, o ministro André Mendonça destacou que Felipe “não ocupa posição periférica”, mas atua no “núcleo financeiro-operacional do grupo, com domínio relevante sobre fluxos patrimoniais, estruturas societárias e mecanismos de ocultação de recursos”.
A prisão temporária de Felipe também está relacionada à suspeita de venda de ações avaliadas em R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão, prática que, segundo a PF, indica tentativa de ocultação de patrimônio. Além disso, trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e o primo revelam indícios de pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), com valores estimados em R$ 300 mil mensais.
O que muda com a decisão do STF
A manutenção das prisões sinaliza uma escalada no rigor judicial contra o núcleo familiar Vorcaro, que já enfrenta acusações de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha. A decisão do STF, agora com dois votos consolidados, pode acelerar as investigações e pressionar por delações premiadas, como a de Daniel Vorcaro, cujos acordos ainda enfrentam entraves por falta de provas robustas e prazos definidos.
Enquanto a Justiça avança, as ramificações do caso Master revelam uma teia complexa de relações financeiras e políticas, com indícios de que o dinheiro do banco teria sido usado não apenas para enriquecimento ilícito, mas também para financiar operações de intimidação e influenciar decisões políticas. A prisão de Felipe e Henrique marca, assim, um novo capítulo em uma investigação que promete desdobramentos ainda mais profundos.




