A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) analisa uma representação que acusa a venda da Sabesp à Equatorial Energia de ter sido realizada com um deságio de 44% em relação ao valor de mercado. O documento, apresentado pelo deputado estadual Antônio Donato (PT), foi protocolado em março de 2025 e pede a abertura de inquérito civil, além do compartilhamento de informações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF).
O que o MP-SP vai investigar no caso da Sabesp e do Banco Master
A representação entregue ao MP-SP relaciona a privatização da Sabesp e da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) a operações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master. Segundo o documento, o banco teria atuado como intermediário em estruturas que beneficiaram fundos de investimento com fortes valorizações, como o Fundo Phoenix, vencedor do leilão da EMAE em abril de 2024 com uma proposta de R$ 1,04 bilhão.
A suspeita central recai sobre a criação do Fundo Phoenix menos de 30 dias antes do leilão, o que levantaria dúvidas sobre sua capacidade de arcar com o valor ofertado. Além disso, o documento aponta que fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag participaram de movimentações que resultaram em valorizações superiores a 800% nas ações da Ambipar entre abril e outubro de 2024.
Como a Sabesp foi vendida com possível prejuízo aos cofres públicos
Os cálculos apresentados na representação indicam que, em julho de 2024, a Sabesp valia mais de R$ 56,2 bilhões, com ações negociadas a R$ 82 no mercado. No entanto, o governo paulista vendeu um bloco de controle de 15% das ações por R$ 67 cada, totalizando R$ 6,9 bilhões. Especialistas do Observatório Nacional das Águas, da Arsesp (Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado) e da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp estimaram que o deságio teria chegado a 44%.
Em fevereiro de 2026, as ações da Sabesp já haviam subido para R$ 152,50, o que reforça as suspeitas de que a venda teria sido realizada abaixo do valor justo. O BTG Pactual, que coordenou a oferta pública, também é questionado: a demanda superou R$ 200 bilhões para uma oferta de apenas R$ 7,9 bilhões, ainda assim mantendo o preço de R$ 67 por ação.
Banco Master e as conexões suspeitas nas privatizações
O Banco Master aparece como peça-chave em duas privatizações analisadas: a da Sabesp e a da EMAE. Na venda da EMAE, o Fundo Phoenix, ligado ao banco, venceu o leilão com uma proposta considerada baixa. Já na Sabesp, relatórios preliminares sugerem que o Banco Master pode ter atuado em operações financeiras que beneficiaram fundos com fortes ganhos de capital.
A representação também cita dois executivos: Carlos Piani e Fabiano Zettel, cujas ligações com as empresas envolvidas estão sendo mapeadas pela Promotoria. As investigações buscam verificar se houve favorecimento indevido ou conluio entre os agentes.
Próximos passos da investigação e possíveis desdobramentos
O MP-SP deve decidir nos próximos dias sobre a abertura de um inquérito civil para apurar as irregularidades suspeitas. Caso sejam confirmadas, as informações poderão ser encaminhadas à Polícia Federal e ao MPF, que poderiam instaurar ações penais ou investigações adicionais. A defesa da Equatorial Energia e do Banco Master ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.




