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Ronaldo Caiado acusa PT de ser ‘adversário histórico’ da agropecuária e critica política econômica de Lula

Redação
12 de maio de 2026 às 04:18
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Ronaldo Caiado acusa PT de ser ‘adversário histórico’ da agropecuária e critica política econômica de Lula

Lula Marques/ Agência Brasil

O confronto retórico entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e setores do agronegócio brasileiro remonta às décadas de 1980 e 1990

 

O PT, sob liderança de Lula, consolidou-se como principal força opositora às políticas liberais que favoreciam o latifúndio e a produção agrícola exportadora. Naquele contexto, a legenda defendia reformas agrárias e críticas ao modelo de desenvolvimento agroexportador, associando-o à concentração de terras e à exploração trabalhista. Embora o partido tenha moderado seu discurso nos anos 2000, com a implementação de programas como o Fome Zero e a expansão de políticas creditícias para pequenos produtores via Pronaf, a relação com o agronegócio de grande escala permaneceu tensa. O ex-governador de Goiás e atual pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD-GO), reacendeu essa polêmica ao classificar o PT como “adversário histórico” do setor, durante participação no podcast Pod Pec, nesta segunda-feira (11.mai.2026).

Acusações de endividamento e impacto na agropecuária

A declaração de Caiado não se limitou a críticas ideológicas: o político responsabilizou diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo endividamento de diversos setores produtivos, incluindo o agronegócio. “O governo Lula quebrou todos os segmentos produtivos no país: prestador de serviço, indústria, comércio, renda familiar endividada e agropecuária endividada”, afirmou. Segundo ele, a política econômica do atual governo, marcada pelo aumento de gastos públicos concomitantemente à elevação da taxa Selic, teria criado um cenário de “incapacidade de poder pagar”, agravando a crise de liquidez enfrentada por produtores rurais e empresas do setor.

Caiado também mencionou o programa Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal para renegociar dívidas de famílias de baixa renda, como um exemplo de “irresponsabilidade fiscal”. “Quem foi que enrolou o povo? Foi você, presidente Lula. Agora vem com o Desenrola, como se fosse uma solução”, declarou. O programa, embora tenha sido anunciado como medida de alívio para 70 milhões de brasileiros, é criticado por especialistas por não atacar as causas estruturais da crise de endividamento, como a alta dos juros e a queda na renda.

Segurança pública e classificação de facções como terroristas

Além das críticas econômicas, Caiado abordou a gestão de Lula em segurança pública, destacando o posicionamento do governo federal frente à pressão internacional para classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. O pré-candidato acusou o presidente de atuar como “advogado de defesa” desses grupos ao evitar tal enquadramento, que, segundo ele, facilitaria a cooperação internacional no combate ao crime organizado. “O Brasil com o PT governando fica um brigando com o outro. Não se governa brigando, se governa construindo”, argumentou, em referência ao que considera um ambiente de conflitos políticos permanentes.

Gestão da economia e desconhecimento técnico sobre setores estratégicos

O governador goiano também questionou a expertise de Lula em temas-chave para a economia brasileira, como o aproveitamento de terras raras pesadas — minerais críticos para a indústria de alta tecnologia e transição energética. “Lula não sabe o que é terras raras pesadas. Como é que um presidente da República não sabe do potencial mineral, agrícola e industrial do país?”, indagou. A crítica se insere em um contexto mais amplo de desconfiança em relação à capacidade do governo federal de gerir setores estratégicos, especialmente após recorrentes crises em segmentos como mineração, energia e logística portuária.

Caiado ainda teceu duras críticas à política tributária do governo, afirmando que o Executivo “só sabe aumentar imposto” e que a “bomba-relógio fiscal explodiu no colo do Lula”. A fala ecoa os alertas de economistas e instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o risco de colapso das contas públicas, agravado pela trajetória de crescimento da dívida pública e pela rigidez orçamentária imposta pelo teto de gastos.

Trajetória política e defesa da experiência administrativa

Ronaldo Caiado, que acumulou 24 anos como governador de Goiás (1991–1995 e 1999–2026), é uma das figuras mais experientes do PSD e tem no agronegócio uma de suas principais bases de apoio. Sua trajetória política é marcada por embates com movimentos sociais rurais e ambientalistas, além de uma defesa ferrenha do modelo agroexportador. Em 2026, ao se lançar como pré-candidato à Presidência, ele tem buscado capitalizar o descontentamento do setor com políticas governamentais, apresentando-se como alternativa para a retomada do crescimento econômico via inovação e ciência no campo. “Um candidato à Presidência precisa ter experiência administrativa”, afirmou durante a entrevista, em alusão direta à falta de vivência de Lula em gestão de grandes estruturas antes de assumir o Palácio do Planalto em 2003.

Desdobramentos e cenário eleitoral de 2026

A fala de Caiado ocorre em um momento de alta tensão no debate político brasileiro, com pesquisas de intenção de voto indicando um cenário ainda indefinido para a eleição presidencial de outubro de 2026. Enquanto o PT tenta revalidar o legado do terceiro mandato de Lula, setores do agronegócio e da indústria cobram medidas concretas para reverter o quadro de estagnação econômica. A crítica de Caiado, embora direcionada ao governo federal, também serve como estratégia para consolidar sua posição como principal representante do PSD — partido que, nas últimas eleições, obteve expressivos resultados em estados-chave do Centro-Oeste e Sudeste, regiões decisivas para a corrida presidencial.

Especialistas ouvidos pela ClickNews destacam que o embate entre Caiado e o PT tende a polarizar ainda mais o debate sobre o futuro do agronegócio no Brasil, especialmente em temas como regularização fundiária, políticas ambientais e inserção internacional do setor. “A discussão não é apenas econômica, mas também ideológica. O agronegócio moderno exige inovação e sustentabilidade, enquanto o PT ainda carrega o estigma de um partido que, historicamente, foi associado a reformas que conflitavam com os interesses do grande capital rural”, avalia a economista rural Cláudia Costa, professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Perspectivas para o futuro do setor

Independentemente da veracidade das acusações ou da validade das propostas apresentadas por Caiado, a entrevista no Pod Pec reacendeu um debate central para o Brasil: como conciliar o crescimento do agronegócio — que responde por cerca de 27% do PIB nacional e 47% das exportações — com políticas públicas que garantam equidade social e sustentabilidade ambiental. Enquanto o governo Lula defende a expansão de políticas como o ABC+ (para agricultura de baixa emissão de carbono) e o Plano Safra, críticos como Caiado argumentam que tais medidas são insuficientes diante da complexidade de um setor que emprega mais de 20 milhões de pessoas e movimenta R$ 2,5 trilhões anualmente. O embate, portanto, transcende a retórica e impõe desafios práticos para a formulação de um projeto de desenvolvimento nacional que seja, ao mesmo tempo, competitivo e inclusivo.

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