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Projeção oficial da inflação sobe para 5,1% e supera teto da meta em 2026

João
16 de julho de 2026 às 10:35
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Projeção oficial da inflação sobe para 5,1% e supera teto da meta em 2026

Imagem ilustrativa gerada por IA

Governo mantém previsão de crescimento do PIB em 2,3%, apesar de pressões externas e riscos climáticos

O governo federal revisou para cima a projeção da inflação para 2026 e passou a estimar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrará o ano em 5,1%, percentual acima do limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A atualização foi motivada, principalmente, pelos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e pelos riscos associados ao fenômeno climático El Niño, que pode afetar a produção agrícola e pressionar o custo dos alimentos.

Apesar da elevação da expectativa inflacionária, a estimativa de crescimento da economia brasileira foi mantida em 2,3% para o próximo ano. As novas previsões constam no Boletim Macrofiscal divulgado nesta quarta-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda.

Conflitos internacionais e El Niño influenciam revisão da inflação

Segundo a equipe econômica, a atualização da projeção do IPCA reflete o aumento dos preços internacionais do petróleo e de seus derivados em decorrência das tensões no Oriente Médio, além dos possíveis impactos do El Niño sobre a oferta de alimentos.

Na avaliação do Ministério da Fazenda, esses fatores devem continuar exercendo pressão sobre os preços nos próximos meses, dificultando uma desaceleração mais rápida da inflação.

Governo eleva projeções para os próximos anos

O cenário revisado pelo Ministério da Fazenda apresenta as seguintes estimativas para a inflação:

  • Inflação em 2026: 5,1%, ante previsão anterior de 4,5%;
  • Meta de inflação: 3%, com limite máximo de 4,5%;
  • Inflação em 2027: projeção elevada de 3,5% para 3,6%;
  • Após 2027: expectativa de retorno gradual da inflação ao centro da meta de 3%.

Em relação aos alimentos, o governo avalia que o fenômeno climático poderá comprometer parte da produção agrícola e contribuir para novas altas de preços.

“Pressões altistas no segundo semestre estão associadas à maior probabilidade de ocorrência do El Niño e à persistência do choque de oferta e de preços dos fertilizantes”, afirma o boletim.

Petróleo e cenário geopolítico ampliam pressão sobre os preços

O Ministério da Fazenda destaca que a escalada das tensões no Oriente Médio elevou as cotações internacionais do petróleo, movimento que tende a repercutir sobre os combustíveis e diversos segmentos da economia brasileira.

A equipe econômica avalia que o prolongamento das incertezas geopolíticas pode manter a inflação em patamar elevado por mais tempo, reduzindo a velocidade da convergência para a meta estabelecida pelo Banco Central.

Crescimento do PIB permanece em 2,3%

Mesmo diante da revisão das expectativas para a inflação, o governo manteve inalterada a previsão de expansão da atividade econômica em 2026.

As projeções divulgadas pela Secretaria de Política Econômica indicam:

  • PIB em 2026: crescimento de 2,3%;
  • PIB em 2027: redução da estimativa de 2,6% para 2,5%;
  • Entre 2027 e 2030: expansão média projetada de 2,6% ao ano.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o desempenho econômico deverá continuar sendo sustentado principalmente pelos setores de indústria e serviços. Já a agropecuária tende a apresentar desaceleração após os resultados expressivos registrados com a safra recorde de soja no início deste ano.

Boletim orientará decisões sobre o Orçamento

A atualização das projeções ocorre em um contexto de elevada instabilidade internacional, marcado por conflitos geopolíticos e riscos climáticos que afetam as perspectivas econômicas.

Segundo a equipe econômica, embora o cenário de curto prazo seja de inflação acima do esperado, a expectativa continua sendo de convergência gradual para a meta nos próximos anos.

As estimativas divulgadas no Boletim Macrofiscal servirão de base para a elaboração do próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser publicado até o dia 24.

O documento orienta a execução do Orçamento da União e subsidia decisões sobre eventuais bloqueios de despesas — realizados para cumprir os limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal — e contingenciamentos, adotados quando a arrecadação do governo fica abaixo das projeções oficiais.

 

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