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PGR pede condenação de acusados pelo assassinato de Marielle Franco

João
24 de fevereiro de 2026 às 15:54
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PGR pede condenação de acusados pelo assassinato de Marielle Franco

© Valter Campanato/Agência Brasil

Supremo retoma julgamento de cinco réus apontados como integrantes de organização criminosa

O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, pediu nesta terça-feira (24) a condenação dos cinco acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O julgamento ocorre na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e reúne figuras centrais da política e da segurança pública do Rio de Janeiro.

Entre os réus estão o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão; o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-PM Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos permanecem em prisão preventiva.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, os acusados “constituíram e participaram ativamente de organização criminosa armada”, com apoio de milícias, para garantir vantagens econômicas e eleitorais mediante crimes graves.

A delação premiada de Ronnie Lessa, autor confesso dos disparos contra Marielle e Anderson, aponta os irmãos Brazão e Barbosa como mandantes. Rivaldo teria participado da preparação da execução, Ronald monitorado a rotina da vereadora e Robson entregue a arma utilizada.

Ameaça aos currais eleitorais

Chateaubriand destacou que Marielle representava risco direto ao poder territorial consolidado pelas milícias:

“Tão logo empossada, Marielle se opôs de forma veemente a um projeto de lei que impactava áreas de influência dos irmãos Brazão.”

Segundo o procurador, a atuação parlamentar da vereadora em temas de habitação e urbanismo ameaçava os currais eleitorais mantidos pelo grupo.

Estrutura criminosa e provas robustas

O vice-procurador ressaltou que há “provas robustas” da participação dos acusados em crimes de grilagem, parcelamento irregular do solo e exploração de jogos de azar. Rivaldo Barbosa, segundo ele, teria usado a Polícia Civil para garantir a impunidade da organização.

Ronald de Paula, apontado como miliciano atuante em Rio das Pedras, teria monitorado a rotina de Marielle antes do atentado. Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, seria o elo entre os irmãos Brazão e as milícias, viabilizando candidaturas e ocupação de cargos públicos.

Impacto humano

A advogada Maria Victoria Hernandez Lerner, representante de Fernanda Gonçalves Chaves – única sobrevivente do ataque –, destacou os efeitos devastadores do crime:

“O impacto desse homicídio foi horroroso na vida da Fernanda. Ela perdeu não só sua assessora, mas também madrinha, amiga e comadre.”

Fernanda precisou deixar o Rio de Janeiro e viver fora do país por segurança. Para a advogada, o julgamento expõe não apenas um crime brutal, mas toda a estrutura de poder sustentada por milícias no estado.

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