ClickNews
Justiça

PF mira líder do governo no Senado em nova etapa da investigação sobre o Banco Master

Jeverson
18 de junho de 2026 às 10:54
Compartilhar:
PF mira líder do governo no Senado em nova etapa da investigação sobre o Banco Master

Senador Jaques Wagner (PT-BA 0 em imagem de arquivo – © Pedro França/Agência Senado

Fonte: Pedro França/Agência

Operação autorizada pelo STF apura suspeitas de favorecimento a interesses da instituição financeira no Congresso em troca de benefícios indevidos; senador Jaques Wagner teve mandado de busca cumprido nesta quinta-feira

Investigação alcança núcleo político do caso

 

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, uma nova fase da Operação Compliance Zero e colocou no centro das investigações o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes cumpriram mandado de busca e apreensão relacionado ao parlamentar, que, até o momento, não se pronunciou sobre a ação.

As apurações buscam esclarecer se o senador teria atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de supostas vantagens. Entre os fatos investigados estão a tramitação de propostas consideradas estratégicas para a instituição financeira, incluindo uma medida que ficou conhecida nos bastidores políticos como “emenda Master”.

Segundo os investigadores, há suspeitas de que benefícios indiretos tenham sido concedidos ao parlamentar, entre eles a aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador e repasses financeiros destinados a uma empresa ligada à sua família.

Pagamentos à empresa da nora voltam ao foco

O nome de Jaques Wagner já havia surgido anteriormente no contexto das investigações após a revelação de que a empresa BK Financeira, pertencente à sua nora, recebeu ao menos R$ 11 milhões do Banco Master.

Na ocasião, o senador negou qualquer participação em negociações envolvendo a companhia. Em manifestação pública, afirmou não ter “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

Os investigadores agora aprofundam a análise sobre a origem dos recursos e a eventual relação entre os pagamentos e a atuação política do parlamentar.

Ex-sócio de Daniel Vorcaro também é alvo

Além do líder governista, a operação atingiu o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.

Em nota, a Polícia Federal informou que a ofensiva tem como objetivo “apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional”.

A corporação acrescentou que os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes de “corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”.

Caso se expandiu para além das fraudes financeiras

Inicialmente concentrada em supostas irregularidades na estrutura financeira do Banco Master, a Operação Compliance Zero teve início em novembro de 2025. A investigação nasceu a partir de suspeitas sobre a criação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos considerados fraudulentos, em um esquema apontado pelas autoridades como bilionário.

Com o avanço das diligências, o alcance da operação foi ampliado e passou a envolver possíveis relações entre executivos da instituição financeira e agentes públicos.

Entre os nomes já alcançados pelas investigações está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em apurações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso.

Suspeitas incluem rede de influência e monitoramento paralelo

Nas etapas mais recentes, a Polícia Federal passou a investigar uma suposta estrutura voltada ao pagamento de vantagens indevidas a autoridades e à manutenção de uma rede paralela de influência.

As apurações também examinam indícios da existência de um grupo informal que teria atuado em ações de monitoramento, intimidação e espionagem. O núcleo teria recebido internamente o apelido de “A Turma” e é considerado uma das frentes centrais da investigação.

A fase anterior da Compliance Zero teve como foco o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e analisou investimentos realizados pelo Rioprevidência em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, em operações que somariam aproximadamente R$ 3 bilhões.

O que você achou desta notícia?

Sua avaliação ajuda nossa redação a entregar o melhor conteúdo.