Operação Criptoabate mira rede criminosa com atuação nacional e internacional
A prisão do suspeito de 41 anos, natural de Presidente Prudente (SP), no Aeroporto Santos Dumont, nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026, representa um capítulo da Operação Criptoabate, deflagrada na quinta-feira, 13, pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. A investigação, que se estendeu por mais de um ano, identificou uma organização especializada em fraudes financeiras — notadamente o chamado ‘pig butchering’ — e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos. Segundo as autoridades, o grupo atuava em múltiplos estados brasileiros e mantinha operações no exterior, com indícios de envolvimento em pelo menos dez crimes de estelionato praticados contra vítimas de alto poder aquisitivo.
Vítima de 70 anos perde R$ 37 milhões em plataforma falsa de investimentos
A principal vítima identificada pela investigação é uma senhora de 70 anos, residente no Rio Grande do Sul, que teve seu patrimônio dilapidado após ser convencida a aportar recursos em uma plataforma de investimentos fraudulenta. Os criminosos, segundo apurou a polícia, construíram uma relação de confiança com a idosa ao longo de meses, convencendo-a de que os ganhos eram provenientes de operações legítimas em criptoativos. O prejuízo estimado supera R$ 37 milhões, valores que foram movimentados internacionalmente antes de serem apagados por meio de técnicas de lavagem. O caso reforça o padrão do ‘pig butchering’, tática que explora a vulnerabilidade emocional e a confiança das vítimas para extrair grandes quantias.
TJ-RS decreta dez prisões preventivas; PCC e facções podem estar envolvidas
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) decretou dez prisões preventivas no âmbito da operação, incluindo o homem preso no Santos Dumont. As investigações indicam que a organização mantinha vínculos com grupos criminosos estruturados, embora não haja confirmação oficial de participação de facções como o PCC ou o Comando Vermelho. Entre os alvos das medidas cautelares estão investidores de fachada, operadores de corretoras ilegais e ‘laranjas’ responsáveis por movimentar os recursos desviados. As autoridades não descartam que outras prisões ocorram nos próximos dias, à medida que novas provas forem apresentadas.
Criptoativos: o novo campo de atuação do crime organizado
A Operação Criptoabate evidencia a crescente sofisticação das quadrilhas que migram para ativos digitais, aproveitando a baixa regulação e a dificuldade de rastreamento das transações em blockchain. A Polícia Federal, que atuou em conjunto com a PF no Rio de Janeiro, destaca que o caso ilustra como o ‘pig butchering’ se tornou uma das principais modalidades de estelionato no país, com prejuízos superiores a R$ 1 bilhão por ano. Especialistas alertam que a falta de fiscalização em exchanges não regulamentadas facilita a operação desses grupos, que reinvestem os lucros em outras atividades ilícitas, como tráfico de drogas e armas.




