Estrangulamento geopolítico impulsiona cotações
O preço do petróleo registrou alta superior a 6% nesta segunda-feira (31), levando o barril do tipo Brent — referência global — à casa dos US$ 90, após a escalada de hostilidades entre Estados Unidos e Irã no estreito de Hormuz, principal via de escoamento de petróleo do Oriente Médio. Por volta das 7h15 (horário de Brasília), a commodity atingiu US$ 91,52 (R$ 475,54), maior patamar em sete dias, revertendo a trajetória de baixa observada ao longo da semana anterior.
O movimento de valorização, iniciado ainda na madrugada com a abertura dos mercados asiáticos, reflete a reação imediata ao anúncio de ataques recíprocos. O governo iraniano divulgou imagens de mísseis lançados contra uma base militar dos EUA na Jordânia, enquanto o Comando Central das Forças Armadas americanas (Centcom) confirmou ação limitada contra alvos da Guarda Revolucionária Iraniana na ilha de Larak, no estreito de Hormuz. Em comunicado oficial, o Centcom classificou a operação como uma “medida preventiva contra ameaça iminente”.
Divergência entre benchmarks e impacto regional
Enquanto o Brent operava com alta de 5,8% às 8h45, cotado a US$ 91,20 (R$ 473,88), o petróleo WTI (West Texas Intermediate), padrão nos EUA, apresentava avanço de 3,8%, comercializado a US$ 86,57 (R$ 449,82). A disparidade entre os índices reflete não apenas dinâmicas regionais — com o Brent mais sensível a tensões no Golfo — mas também a capacidade de refino e demanda diferenciada entre mercados. Analistas destacam que a região do estreito de Hormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo global diário, tornou-se novamente o epicentro de riscos sistêmicos para a cadeia de suprimentos energéticos.
Cenário incerto e projeções de volatilidade
Especialistas consultados pela agência Platipus apontam que a escalada pode prolongar a volatilidade nos mercados de commodities, especialmente se houver resposta iraniana direta. “A interrupção mesmo que parcial no fluxo pelo estreito de Hormuz teria impacto imediato nas cotações, dado o volume crítico transportado diariamente”, avaliou o economista-chefe da consultoria Energia & Geopolítica. A trajetória recente do Brent, que oscilou entre US$ 85 e US$ 92 na última quinzena, sugere que o patamar atual pode se consolidar caso não haja desescalada nos próximos dias, com potenciais reflexos em inflação global e políticas monetárias de bancos centrais.




