O ouro encerrou a sessão de quarta-feira (20) em alta de 0,53%, negociado a US$ 4.535,30 por onça-troy, após dois dias consecutivos de perdas que levaram o metal a recuar mais de 2% desde a segunda-feira. A recuperação parcial refletiu um alívio temporário no mercado global, impulsionado pela abertura parcial do Estreito de Ormuz — rota crítica para o transporte de petróleo — e rumores de um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã, mediados pelo Paquistão.
O impacto do desbloqueio do Estreito de Ormuz no mercado de commodities
A notícia de que parte da principal via marítima para exportação de petróleo estaria sendo reaberta, após semanas de bloqueio imposto pelo Irã em resposta a sanções americanas, reduziu o prêmio de risco nos mercados. O petróleo, que chegou a superar US$ 90 o barril nas últimas semanas, recuou cerca de 3% nesta quarta-feira, com o barril do tipo Brent caindo para US$ 81,20. Essa dinâmica favoreceu ativos de maior risco, como as bolsas globais e metais preciosos, que tradicionalmente se beneficiam de um ambiente de menor tensão geopolítica.
Enquanto isso, o contrato futuro da prata para julho avançou 1,35%, fechando a US$ 76,181 por onça-troy, refletindo não apenas o otimismo com o petróleo, mas também a demanda industrial em um cenário de recuperação econômica global.
EUA e Irã: um cessar-fogo frágil e suas consequências
Apesar do otimismo inicial, a volatilidade voltou a dominar as operações após declarações do presidente iraniano, Ebrahim Raisi, que ameaçou retaliar militarmente os EUA em caso de novas sanções. As palavras reacenderam temores de uma escalada do conflito, levando investidores a adotar uma postura mais conservadora.
Segundo analistas do TD Securities, o ouro pode enfrentar uma liquidação de até 10% em posições compradas se a incerteza persistir. Já o Société Générale alertou que a recuperação do metal pode encontrar resistência na faixa entre US$ 4.685 e US$ 4.775, onde a pressão vendedora tende a se intensificar.
Fed e juros: o calcanhar de Aquiles do ouro
Em meio à incerteza geopolítica, o mercado manteve sua aposta em uma alta da taxa de juros dos EUA ainda em dezembro de 2026, conforme dados do CME Group. Essa expectativa — que reduz o apelo do ouro como ativo de proteção — segue como um fator de peso para os investidores, mesmo em um cenário de alívio temporário.
Para especialistas ouvidos pela ClickNews, a trajetória do metal nos próximos dias dependerá não apenas da evolução das negociações entre Washington e Teerã, mas também da postura do Federal Reserve. Se a autoridade monetária mantiver seu discurso duro contra a inflação, o ouro pode voltar a perder fôlego, mesmo com a melhora no front geopolítico.




