Fraude explora ferramenta criada para proteger vítimas e reforça alerta sobre cuidados em transferências bancárias
O avanço do Pix como principal meio de pagamento instantâneo do país tem sido acompanhado pelo surgimento de golpes cada vez mais elaborados. Com milhões de transações realizadas diariamente, o sistema se consolidou na rotina dos brasileiros, mas também passou a ser alvo constante de criminosos que buscam explorar falhas de atenção dos usuários para obter ganhos ilícitos.
Dados recentes apontam que, em apenas um dia, foram registradas 224 milhões de operações por meio da ferramenta. O volume expressivo evidencia a ampla aceitação do serviço, mas também demonstra o potencial de alcance das fraudes que vêm sendo aplicadas utilizando recursos legítimos do próprio sistema financeiro.
Golpistas utilizam mecanismo de proteção para aplicar fraude
Uma das modalidades que mais preocupa autoridades e instituições financeiras envolve o uso indevido do Mecanismo Especial de Devolução (MED). Criado para auxiliar consumidores que sofreram golpes ou movimentações fraudulentas, o recurso passou a ser explorado por criminosos em uma estratégia que combina engenharia social e manipulação das regras do sistema.
Conhecido como golpe do “Pix errado”, o esquema começa quando o fraudador transfere determinada quantia para a conta da vítima. Logo depois, ele entra em contato alegando ter cometido um erro na transferência e solicita que o dinheiro seja devolvido.
O diferencial da fraude está no fato de que o criminoso orienta a vítima a realizar uma nova transferência para uma conta diferente daquela utilizada na operação original. A partir desse momento, o golpe ganha uma segunda etapa.
Depois de receber o valor enviado manualmente pela vítima, o fraudador aciona o MED junto ao banco, alegando que foi vítima de uma movimentação irregular. Caso a solicitação seja aceita pela instituição financeira, ele poderá recuperar também o valor da transferência inicial, obtendo vantagem financeira em duplicidade.
Ampliação do monitoramento busca identificar movimentações suspeitas
Desde fevereiro de 2026, o Banco Central passou a contar com mecanismos mais avançados para rastrear o caminho percorrido pelos recursos movimentados via Pix. A medida permite acompanhar transferências realizadas entre diferentes contas e identificar conexões com esquemas de fraude.
O objetivo é facilitar a localização de valores e ampliar a capacidade de investigação das instituições financeiras. Apesar do reforço tecnológico, especialistas alertam que a principal vulnerabilidade continua sendo o comportamento do usuário diante de solicitações aparentemente legítimas.
Por esse motivo, a recomendação é que qualquer devolução de valores recebidos indevidamente seja feita exclusivamente por meio da função oficial de devolução disponível no aplicativo do banco. Esse procedimento garante que o dinheiro retorne para a conta de origem da transferência.
Golpe do Pix Agendado também preocupa comerciantes e prestadores de serviço
Outra fraude que tem se tornado frequente é a utilização de comprovantes de Pix agendado como se fossem comprovantes de pagamento concluído.
Nesse tipo de golpe, o criminoso apresenta ao vendedor ou prestador de serviço um documento que visualmente se assemelha ao comprovante de uma transferência efetivada. Convencida de que o pagamento foi realizado, a vítima entrega mercadorias, libera serviços ou conclui negociações.
Posteriormente, o autor da fraude simplesmente cancela o agendamento da operação. Como o dinheiro nunca chegou à conta do destinatário, o prejuízo fica integralmente com quem forneceu o produto ou serviço.
Nessas situações, o Mecanismo Especial de Devolução não pode ser utilizado, uma vez que nenhuma transferência foi efetivamente concluída.
Clonagem de WhatsApp continua entre os golpes mais comuns
As fraudes relacionadas ao WhatsApp seguem entre as mais recorrentes no ambiente digital. Após assumir o controle da conta de uma pessoa, criminosos entram em contato com familiares, amigos e conhecidos solicitando transferências urgentes por meio do Pix.
A estratégia costuma funcionar porque a mensagem parte de um perfil confiável, aumentando as chances de que os contatos realizem a operação sem verificar a autenticidade do pedido.
Especialistas recomendam confirmar qualquer solicitação financeira por ligação telefônica ou outro canal de comunicação antes de efetuar transferências.
Programas maliciosos podem dar acesso a contas bancárias
Outro risco crescente está relacionado à instalação de softwares maliciosos em smartphones. Esses programas podem permitir que criminosos tenham acesso remoto ao aparelho e, consequentemente, aos aplicativos bancários utilizados pelo titular da conta.
Com o controle do dispositivo, os fraudadores conseguem realizar movimentações financeiras sem autorização do usuário, incluindo transferências instantâneas via Pix.
A orientação é manter sistemas operacionais atualizados, evitar downloads de fontes desconhecidas e desconfiar de links enviados por mensagens, e-mails ou redes sociais.
Banco Central reforça orientações para evitar prejuízos
O Banco Central também alerta que o cadastro de chaves Pix jamais é realizado por telefone. Qualquer ligação solicitando confirmação de dados, atualização cadastral ou registro de chave deve ser tratada como potencial tentativa de golpe.
Nos casos em que uma fraude resulte em uma transferência efetivamente concluída, a vítima pode solicitar a análise para devolução dos recursos por meio do MED em até 80 dias após a operação.
Já quando o recebimento ocorrer por engano, a recomendação oficial é utilizar exclusivamente a ferramenta de devolução disponível no extrato da própria instituição financeira, evitando realizar novas transferências manuais.
Entre as principais medidas de segurança indicadas pelas autoridades estão verificar diretamente no aplicativo bancário se o pagamento foi concluído antes de entregar produtos ou prestar serviços, desconfiar de comprovantes enviados por aplicativos de mensagens, nunca fornecer informações bancárias por telefone e utilizar apenas os canais oficiais dos bancos para resolver questões relacionadas ao Pix.
Mesmo com o fortalecimento dos mecanismos de rastreamento e monitoramento das operações, especialistas destacam que a atenção do usuário continua sendo a principal barreira contra as tentativas de fraude no sistema de pagamentos instantâneos.




