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Justiça

Mulher espancada por lutador em condomínio no Rio relata ameaças de morte e momentos de terror

João
7 de novembro de 2026 às 07:43
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Mulher espancada por lutador em condomínio no Rio relata ameaças de morte e momentos de terror

© Reprodução

Vítima sofreu fratura no rosto após ser atacada na Tijuca; suspeito também teria agredido uma idosa de 81 anos e acabou baleado durante abordagem policial

Uma mulher agredida por um lutador dentro de um condomínio residencial na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, descreveu os momentos de violência que enfrentou ao tentar ajudar vizinhos. Em entrevista à GloboNews, ela afirmou ter acreditado que seria morta durante as agressões. O suspeito, identificado como Lucas Portela Fontana Gomes, teria feito ameaças contra moradores e exigido que a vítima se ajoelhasse antes de atacá-la.

A mulher, cuja identidade foi preservada por razões de segurança, sofreu uma fratura no rosto e poderá precisar de intervenção cirúrgica. Segundo seu depoimento, o agressor demonstrava comportamento extremamente violento e ameaçava tirar a vida de pessoas que estavam no edifício.

O episódio também envolveu uma moradora de 81 anos, que teria sido atacada pelo mesmo homem. As circunstâncias das agressões são investigadas pela polícia.

Vítima tentou socorrer vizinhos e acabou sendo espancada

De acordo com o relato apresentado à GloboNews, a mulher decidiu deixar seu apartamento depois de ouvir gritos e perceber uma situação de conflito envolvendo outros moradores.

Uma família havia informado que estava sendo ameaçada dentro de uma unidade residencial. Diante da situação, a vizinha desceu para prestar auxílio, mas acabou encontrando o suspeito em uma área compartilhada do condomínio.

Conforme seu depoimento, Lucas determinou que ela se ajoelhasse. A mulher não atendeu à ordem e passou a receber golpes violentos, principalmente na região da cabeça. Ao tentar se defender, também foi atingida no braço.

“Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de matar alguém”, afirmou a vítima.

A moradora contou ainda que o homem tentou imobilizá-la com um golpe conhecido como “mata-leão”, técnica de estrangulamento utilizada em modalidades de luta. Durante a agressão, ela ficou com dificuldades para respirar e chegou perto de perder a consciência.

Segundo a mulher, o suspeito também fazia gestos que simulavam o uso de uma arma de fogo e repetia ameaças de morte contra pessoas que estavam no prédio.

A vítima afirmou ter percebido uma hostilidade particularmente direcionada às mulheres, que, segundo seu relato, foram os principais alvos das agressões físicas.

Idosa de 81 anos também foi atacada durante a madrugada

As informações reunidas na investigação indicam que os episódios de violência começaram por volta de 1h, quando Lucas Portela Fontana Gomes teria invadido o apartamento de uma idosa de 81 anos, localizado no terceiro andar do edifício.

Posteriormente, o suspeito encontrou outra moradora no elevador e passou a ameaçá-la. Conforme os relatos, ele exigiu que a mulher se ajoelhasse e, diante da recusa, iniciou uma sequência de agressões.

A vítima teria sido atingida por socos, chutes e cotoveladas. O homem também teria batido a cabeça dela contra a parede e o piso, além de aplicar um golpe de estrangulamento.

Mesmo ferida, a mulher conseguiu deixar o condomínio e procurou proteção em um posto de combustíveis nas proximidades.

Ela contou que somente depois de receber atendimento hospitalar tomou conhecimento de que a vizinha idosa também havia sido agredida.

Suspeito tentou tomar arma de policial e foi baleado

Na manhã seguinte aos ataques, equipes da Polícia Militar e da Guarda Municipal foram mobilizadas para atender à ocorrência no condomínio.

Segundo o registro policial, Lucas apresentou resistência à abordagem e tentou retirar a arma de um dos policiais que participavam da ação.

Diante da reação, os agentes efetuaram disparos contra as pernas do suspeito. Como ele continuou resistindo, os policiais também utilizaram uma arma de choque para conseguir imobilizá-lo.

Após a intervenção, o homem foi detido e encaminhado ao sistema prisional. Ele permanece custodiado no Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio, e deverá ser submetido a uma audiência de custódia.

O procedimento judicial deverá avaliar as circunstâncias da prisão e a necessidade de manutenção da medida.

Mulher relata dores físicas e abalo emocional após agressões

Além das lesões no rosto, a vítima afirmou continuar sentindo dores na cabeça, no braço e na região abdominal em consequência dos golpes recebidos.

Entretanto, segundo ela, os efeitos psicológicos da violência têm sido ainda mais difíceis de enfrentar.

“Apesar das dores do corpo, eu acho que a dor da alma é pior”, desabafou.

A mulher manifestou preocupação com a possibilidade de o suspeito voltar à liberdade e afirmou esperar que ele permaneça preso.

O temor está relacionado à intensidade das agressões e às ameaças feitas durante o episódio, conforme seu depoimento.

Condomínio estuda medidas judiciais para impedir retorno do morador

Após a ocorrência, a administração do edifício solicitou ao proprietário do apartamento ocupado por Lucas que providencie a retirada do inquilino.

O suspeito residia no condomínio havia aproximadamente quatro anos.

O advogado André Luiz Junqueira, que representa os interesses da administração condominial, informou que estão sendo analisadas alternativas jurídicas para impedir a permanência do homem no prédio.

Entre as possibilidades avaliadas estão uma ação de despejo e uma medida judicial destinada à exclusão do morador em razão de comportamento considerado antissocial.

Segundo o advogado, não existiam registros anteriores de desentendimentos relevantes envolvendo Lucas no condomínio.

Entretanto, informações policiais apontam que o suspeito já possuía passagens por lesão corporal e fuga de trânsito.

A administração aguarda os encaminhamentos judiciais para definir quais providências poderão ser adotadas, especialmente diante da possibilidade de o investigado ser colocado em liberdade.

Defesa das vítimas solicita proteção e reúne provas

A advogada Marisa Dreys, responsável pela representação das vítimas, informou que já solicitou medidas protetivas para resguardar a segurança das mulheres agredidas.

A profissional também trabalha na reunião de documentos e outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos e a responsabilização do suspeito.

Segundo ela, as câmeras de monitoramento do condomínio registraram somente parte dos episódios de violência, o que torna necessária a análise de outros elementos probatórios.

A advogada também destacou a atuação dos policiais envolvidos no atendimento da ocorrência.

Enquanto a investigação prossegue, os moradores aguardam decisões judiciais que possam impedir o retorno de Lucas ao condomínio caso ele seja solto.

A preocupação dos residentes está relacionada à gravidade das agressões denunciadas, às ameaças atribuídas ao suspeito e à necessidade de garantir a segurança das pessoas que vivem no edifício.

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