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Ministério Público de Contas pede afastamento do presidente do IBGE

João
11/03/2026, 07:03
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Ministério Público de Contas pede afastamento do presidente do IBGE
Em fevereiro, foi formalizada a requisição para o afastamento do presidente. Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil – 18.08.2023

Representação enviada ao Tribunal de Contas da União aponta supostas irregularidades administrativas e acusações de perseguição a técnicos do instituto

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou o afastamento cautelar do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann. A medida foi formalizada em representação encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU) no dia 19 de fevereiro, sob a alegação de existência de “graves irregularidades administrativas” na condução do órgão.

O documento sustenta que a atual gestão estaria promovendo mudanças controversas na estrutura técnica da instituição, incluindo a substituição de especialistas experientes por servidores recém-admitidos em funções consideradas estratégicas.

Segundo a representação, também há críticas à tentativa de criação de uma fundação paralela vinculada ao instituto e ao risco de interrupção de sistemas de dados utilizados por setores relevantes da economia.

Acusações de perseguição a técnicos de carreira

Um dos principais pontos apresentados pelo Ministério Público de Contas diz respeito à gestão de recursos humanos dentro do IBGE. A representação aponta a realização de sucessivas exonerações e substituições de servidores de carreira que ocupavam funções técnicas consideradas estratégicas.

De acordo com o documento, profissionais com ampla experiência estariam sendo retirados de cargos-chave, enquanto servidores recém-ingressos no instituto — alguns ainda em estágio probatório — teriam sido designados para posições que exigem elevada qualificação técnica.

Alegações de ingerência técnico-científica

Outro ponto levantado pela representação é a suposta interferência da presidência nas atividades técnico-científicas do instituto. O texto acusa o dirigente de exercer uma “ingerência indevida na esfera técnico-científica do IBGE”.

A peça também menciona uma “violação ao princípio da impessoalidade, ao associar a permanência em funções técnicas à adesão pessoal à orientação do dirigente”, além da utilização de prerrogativas administrativas “para constranger ou silenciar posições técnicas qualificadas”.

Questionamentos sobre criação da Fundação IBGE+

A tentativa de criação da chamada Fundação IBGE+ também é citada como um dos fatores que motivaram a representação. Segundo o Ministério Público de Contas, a iniciativa teria sido proposta sem respaldo legislativo específico.

O documento classifica a medida como uma “tentativa de instituir a denominada Fundação IBGE+, sem respaldo legislativo específico”, acrescentando que a proposta contrariaria entendimento da Advocacia-Geral da União (AGU) e poderia invadir competência atribuída ao chefe do Poder Executivo.

Suspeita de uso político de publicações

A representação também menciona suspeitas de utilização de materiais institucionais do IBGE para fins de promoção política. O texto cita como exemplo a publicação do relatório “Brasil em Números 2024”, que, segundo o órgão, poderia indicar risco de “instrumentalização política das estatísticas oficiais”.

O alerta ganha relevância, segundo o documento, diante da proximidade de períodos eleitorais, quando dados oficiais costumam ter forte impacto no debate público.

Risco de interrupção de sistema essencial à construção civil

Outro ponto destacado na representação envolve possíveis falhas de gestão relacionadas ao Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi). O documento aponta “omissão e falha de gestão” que teriam criado um “risco concreto” de interrupção da coleta e divulgação de dados do sistema.

O Sinapi é considerado uma das principais referências para o cálculo de custos e planejamento de obras públicas e privadas no país, sendo amplamente utilizado por órgãos governamentais e pelo setor da construção civil.

Possível impacto institucional e financeiro

Por fim, o Ministério Público de Contas afirma que as medidas adotadas pela gestão podem comprometer a credibilidade do IBGE e gerar impactos institucionais mais amplos.

De acordo com a representação, os atos atribuídos à atual direção “fragilizam a autonomia técnica e a credibilidade das estatísticas oficiais”, o que poderia expor o país a um “risco concreto de dano ao Erário”, incluindo possíveis reflexos no prêmio de risco soberano e no custo de financiamento da dívida pública.

O pedido de afastamento cautelar agora será analisado pelo Tribunal de Contas da União, que decidirá se abre processo para apurar as denúncias e se há necessidade de adoção de medidas imediatas.


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