Ao lado de Alckmin, Haddad e outras lideranças, presidente intensifica mobilização em São Paulo, cobra explicações sobre suspensão de canal no WhatsApp e aposta na recuperação de votos para enfrentar Flávio Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, neste domingo (11), de uma robusta manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de integrantes do governo e lideranças partidárias que apoiam sua candidatura à reeleição. O encontro marcou uma nova etapa da mobilização para o segundo turno, com atenção especial ao eleitorado paulista, considerado estratégico para o resultado da disputa presidencial.
Estiveram presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ex-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT), as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), além do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
A manifestação também foi marcada por críticas de Lula à Justiça Eleitoral. O presidente questionou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a retirada do canal “Exército do Lula” do WhatsApp, após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Criado depois do primeiro turno e administrado pelo deputado federal André Janones (Rede), o canal reúne mais de três milhões de participantes e funciona como instrumento de mobilização digital dos apoiadores do presidente.
“Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não vamos permitir se seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições flua sem interferência da justiça”, afirmou Lula.
Presidente aposta na mobilização dos ausentes no primeiro turno
Durante o discurso, Lula destacou a necessidade de ampliar o diálogo com os eleitores que deixaram de votar na primeira etapa da eleição. Segundo o presidente, a abstenção de aproximadamente 30 milhões de brasileiros representa um contingente decisivo para a disputa.
“Temos agora uma responsabilidade muito grande. Temos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar, muita gente acima de 70 anos não foi votar. Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas. Nós temos que convencer as pessoas, se o Lula com 81 anos está com a saúde que está é porque eu quero provar que a idade não faz a gente ficar velho”, disse.
O presidente também apresentou prioridades para um eventual quarto mandato, com ênfase na modernização da economia, na educação e na segurança pública.
“O nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica nesse país. Nós precisamos garantir segurança para o povo e prisão para os bandidos”, declarou.
Antes da manifestação do presidente, discursaram os governadores petistas Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Rafael Fonteles, do Piauí, e Elmano de Freitas, do Ceará, reeleitos no primeiro turno e apresentados ao público na Avenida Paulista.
Manifestação reúne partidos e movimentos sociais
Organizado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), o ato concentrou manifestantes nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), principalmente no trecho da Avenida Paulista até o Conjunto Nacional.
Participantes exibiram bandeiras de diferentes organizações políticas, entre elas PSTU, UP e PSB, além de cartazes em defesa do Bolsa Família e do fim da jornada de trabalho na escala 6×1.
Também foram levados à manifestação bonecos infláveis com caricaturas do senador Flávio Bolsonaro e do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
De acordo com o planejamento informado pela Polícia Militar, o percurso seguiria pela Avenida Paulista em direção à Rua da Consolação, com encerramento previsto na Praça Roosevelt.

São Paulo se torna prioridade na estratégia eleitoral
A mobilização na capital paulista integra uma ofensiva da campanha petista para recuperar votos no maior colégio eleitoral do país. No primeiro turno, Lula recebeu em São Paulo aproximadamente um milhão de votos a menos do que havia conquistado na eleição presidencial de 2022, resultado que acendeu um alerta entre seus estrategistas.
A avaliação é de que o desempenho no estado poderá ser determinante para o segundo turno. Para reduzir essa diferença, a campanha pretende intensificar a presença de lideranças com influência regional e ampliar o diálogo com segmentos do eleitorado que não apoiaram o presidente na primeira votação.
Nesse cenário, Geraldo Alckmin deverá assumir maior protagonismo. Ex-governador de São Paulo, o vice-presidente é considerado uma peça importante na aproximação com setores de centro e grupos políticos mais conservadores. A expectativa é de que sua participação na campanha seja acompanhada de um posicionamento mais contundente contra Flávio Bolsonaro.
No sábado (10), Alckmin participou, ao lado de Simone Tebet e Marina Silva, de um encontro promovido pelo movimento Judeus e Judias Pela Democracia, no bairro do Bom Retiro, região central da capital paulista.
Na ocasião, defendeu a necessidade de “falar com a classe média” e apresentar os “prejuízos que podem ter” caso o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro retorne ao comando do Palácio do Planalto.
A movimentação evidencia a importância atribuída a São Paulo nesta fase da campanha. Além de consolidar o apoio da militância, Lula e seus aliados procuram conquistar eleitores indecisos, reduzir a abstenção e ampliar a presença da candidatura entre segmentos que poderão definir o resultado da eleição presidencial.




