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Lula e Flávio Bolsonaro acertam divulgação conjunta de sigilos e aguardam decisão do TSE

João
22 de outubro de 2026 às 14:48
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Lula e Flávio Bolsonaro acertam divulgação conjunta de sigilos e aguardam decisão do TSE

Foto: Vittor Sales e Ricardo Stuckert

Campanhas dos presidenciáveis apresentam acordo à Justiça Eleitoral e solicitam liberação de informações bancárias, fiscais e telefônicas até o fim desta quinta-feira (22)

As equipes de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram, nesta quinta-feira (22), um entendimento para permitir a abertura integral e simultânea de seus sigilos. A proposta foi encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estabelece que as informações sejam disponibilizadas publicamente até as 23h59 do mesmo dia, desde que haja autorização judicial.

A iniciativa foi apresentada por meio de uma petição entregue pelo senador Camilo Santana (PT), integrante da campanha de Lula. O documento registra a concordância dos dois candidatos à Presidência da República com a divulgação dos dados, seguindo condições estabelecidas reciprocamente.

A efetivação do acordo, entretanto, depende de uma decisão do ministro André Mendonça, responsável pela análise do processo no TSE.

“Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos”, diz trecho do documento.

Campanhas pedem divulgação dos dados ainda nesta quinta-feira

Conforme os termos apresentados à Justiça Eleitoral, as autorizações necessárias para a liberação das informações deverão ser encaminhadas ao tribunal até as 23h59 desta quinta-feira.

Os representantes dos candidatos também solicitaram rapidez na tramitação do procedimento. A intenção é que o ministro André Mendonça determine, ainda nesta data, a requisição das informações aos órgãos e instituições responsáveis por sua manutenção.

Entre os destinatários dos pedidos estão o Banco Central do Brasil, a Receita Federal, as instituições financeiras e as operadoras de telefonia.

A proposta prevê que os dados sejam divulgados simultaneamente, por meio do sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou de outra plataforma eletrônica que permita consulta pública.

O entendimento também contempla autorizações relacionadas aos próprios candidatos, a familiares e a empresas mencionadas no processo.

“A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos. Os dados relativos às autorizações já apresentadas, próprias, de familiares, e de empresas, serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026”, detalha o texto.

A petição conjunta recebeu as assinaturas de Lula e da advogada Maria Claudia Bucchianeri, representante jurídica de Flávio Bolsonaro.

Proposta surgiu durante debate presidencial na Band

A discussão sobre a divulgação das informações teve início no último domingo (18), durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes.

Na ocasião, Lula apresentou ao adversário o desafio de permitir a abertura dos respectivos sigilos, dando início a uma troca de manifestações entre as duas campanhas sobre as condições necessárias para a medida.

O entendimento formalizado nesta quinta-feira ocorre às vésperas de mais um encontro entre os presidenciáveis.

Lula e Flávio Bolsonaro têm um novo confronto marcado para sexta-feira (23), quando participarão de um debate organizado pela TV Globo, em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Campanha de Lula defende transparência e questiona condições

A entrega da petição ao TSE contou com a participação de integrantes da coordenação política da campanha petista.

Além de Camilo Santana, estiveram envolvidos no encaminhamento o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Os representantes de Lula defenderam a divulgação das informações como uma medida de transparência, mas também apresentaram questionamentos sobre determinadas condições estabelecidas pela equipe adversária.

Uma das divergências envolve a exclusão da empresa Alcazar Holdings das exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro.

Segundo a coordenação petista, a companhia possui ligação com Willer Tomaz, advogado investigado pela Polícia Federal em um procedimento relacionado a suspeitas de desvios de recursos de aposentados.

A campanha de Lula questiona por que a empresa não foi incluída entre aquelas cujas informações deveriam ser disponibilizadas.

Boulos também criticou o intervalo entre a apresentação do desafio e a manifestação de concordância da campanha adversária.

“Quem propôs o desafio de abrir o sigilo bancário foi o presidente Lula. O Flávio Bolsonaro demorou quatro dias para dizer que aceitava. Só que ele disse que aceitava, não colocou prazo e ainda colocou condicionantes”, afirmou Boulos.

Camilo Santana, por sua vez, ressaltou a necessidade de que as autorizações sejam efetivadas imediatamente, permitindo o acesso da população às informações.

“É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão e quem não é ladrão nesse país”, complementou Santana.

Aliados de Flávio Bolsonaro cobram apresentação de documentos

Apesar do entendimento formal entre os candidatos, a equipe de Flávio Bolsonaro mantém críticas à documentação apresentada pelos representantes de Lula.

Integrantes da campanha do senador afirmam que o presidente ainda não teria disponibilizado os documentos específicos necessários para detalhar a abertura de seus sigilos.

Os aliados do candidato do PL também questionam a ausência de informações relacionadas a pessoas próximas ao presidente, incluindo familiares e integrantes de sua equipe.

Segundo a campanha de Flávio, Lula não apresentou documentos próprios, “como também não apresentou documentos do seu filho Lulinha, de sua esposa Rosângela da Silva, a Janja, de seu assessor direto Marcola”.

A avaliação dos representantes do senador é que o material encaminhado ao tribunal constitui um termo de compromisso, e não a apresentação efetiva dos documentos cuja divulgação foi discutida entre os candidatos.

O senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol, aliado de Flávio Bolsonaro, criticou a iniciativa da campanha petista e afirmou que as providências anunciadas ainda não teriam sido cumpridas.

“Mais uma vez Lula frustrou e descumpriu sua promessa. Lula não entregou documentos. O que basicamente apresentou foi mais uma petição, mais um pedido para que tudo seja entregue por todo mundo, que já estava nos autos. Ou seja, esse momento hoje de manhã se tornou absolutamente desnecessário porque o Lula não cumpriu aquilo que prometeu”, disse Deltan Dallagnol, eleito senador no Paraná e aliado de Flávio.

Decisão de André Mendonça será necessária para abertura dos sigilos

Mesmo com as divergências manifestadas publicamente pelas campanhas, o acordo apresentado à Justiça Eleitoral permanece válido.

A próxima etapa depende da manifestação do ministro André Mendonça sobre a petição e os procedimentos solicitados pelos representantes dos dois presidenciáveis.

Caso a medida seja autorizada nos termos propostos, os órgãos responsáveis deverão fornecer as informações requisitadas para que a divulgação ocorra de maneira conjunta, conforme previsto no documento.

A intenção expressa pelas campanhas é concluir as autorizações e tornar os dados acessíveis ainda nesta quinta-feira (22), antes do próximo debate presidencial.

Até que haja uma decisão judicial e a efetiva disponibilização das informações, o entendimento entre Lula e Flávio Bolsonaro representa um compromisso formal de abertura dos sigilos, sem significar que os documentos já tenham sido divulgados.

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