Presidente recebeu líderes evangélicos no Palácio do Planalto e também abordou participação feminina, símbolos do PT e mudanças no Conselho de Segurança da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não pretende utilizar igrejas como espaço para atividades políticas e disse considerar essa postura uma forma de respeito à fé dos frequentadores. A declaração ocorreu na quarta-feira (16), durante uma reunião com pastores brasileiros e estrangeiros no Palácio do Planalto, em Brasília.
Ao explicar sua posição, Lula afirmou que rejeita convites para participar de cultos com o objetivo de abordar questões políticas e ressaltou que prefere reservar os atos de campanha e manifestações políticas para espaços públicos.
“Eu me recuso toda vez que alguém pede para eu ir numa igreja falar de política. Eu não vou. Eu não vou porque eu respeito muito a fé das pessoas. Eu respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus”, afirmou Lula.
O presidente acrescentou que, quando pretende tratar de política ou realizar comícios, considera a rua o local apropriado para esse tipo de atividade.
“Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua. Mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, acrescentou.
Lula fala sobre a presença das mulheres nas igrejas
Durante a conversa com os líderes religiosos, o presidente também fez uma comparação entre a participação feminina nas igrejas evangélicas e o papel reservado às mulheres na Igreja Católica. Para Lula, essa diferença ajuda a explicar parte da expansão das denominações evangélicas no Brasil.
Ao comentar o tema, ele mencionou o celibato obrigatório para o clero católico e defendeu maior participação das mulheres na estrutura da Igreja Católica.
“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato, e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispo, as mulheres poderem falar, sabe… a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldade. Essa é uma vantagem que a igreja evangélica tem”, declarou.
Na sequência, Lula destacou o espaço ocupado pelas mulheres nas igrejas evangélicas e associou essa participação ao crescimento do segmento religioso no país.
“As mulheres são tratadas em igualdade de condições. A mulher pode ser o que ela quiser. E é isso que faz com que a igreja evangélica tenha crescido tanto no Brasil”, acrescentou Lula.
Presidente recorda referências cristãs usadas na criação do PT
Lula também recuperou episódios relacionados aos primeiros anos do Partido dos Trabalhadores. Na conversa com os pastores, lembrou que utilizava elementos ligados ao cristianismo para explicar escolhas relacionadas à identidade visual e aos símbolos da legenda.
Ao mencionar a cor vermelha associada ao PT, o presidente recordou uma comparação que fazia quando era questionado sobre o significado do símbolo.
“Eu utilizava o sangue de Cristo como exemplo do vermelho da minha bandeira”, afirmou o presidente.
Lula também mencionou a própria barba e disse que recorria a uma referência bíblica para responder aos questionamentos sobre sua aparência.
“Jesus Cristo era barbudo”, afirmou.
Lula associa trajetória política à própria fé
Em outro momento do encontro, o presidente falou sobre sua trajetória pessoal e estabeleceu uma relação entre sua história de vida e sua fé. Lula relembrou a infância no Nordeste e afirmou considerar sua chegada à Presidência da República uma demonstração da proteção divina.
“Se Deus pegou o menino que nasceu no Nordeste brasileiro com possibilidade de morrer de fome até 5 anos de idade e fez ele sobreviver, e fez ele chegar à Presidência da República três vezes, não pode ter maior abraço que Deus deu num ser humano do que deu em mim”, declarou.
Conselho de Segurança da ONU também entra na conversa
O encontro com os pastores também serviu para Lula antecipar um dos assuntos que pretende levar à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente voltou a defender mudanças no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU e criticou a atuação dos países que ocupam permanentemente o órgão.
As críticas foram direcionadas aos cinco integrantes permanentes do Conselho de Segurança que possuem poder de veto: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
Lula afirmou que o órgão deveria cumprir uma função voltada à preservação da paz e classificou como inadequada a utilização de sua estrutura em situações de conflito.
“Vocês estão desrespeitando a razão pela qual foi criado o Conselho de Segurança da ONU. Foi criado para fazer paz, para fazer harmonia e não para fazer guerra”, afirmou.
O presidente também criticou a falta de decisões em determinadas situações e questionou a permanência dos países no órgão diante do que considera omissão em momentos que exigiriam posicionamento.
“Se vocês se abstêm quando têm que tomar decisão, vocês são covardes. Se vocês não tomam decisão na hora certa, significa que vocês não merecem estar no Conselho de Segurança”, acrescentou Lula.




