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Laterais da Seleção Brasileira: a fragilidade estrutural que ameaça o sonho do hexa

Redação
10 de maio de 2026 às 22:01
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Laterais da Seleção Brasileira: a fragilidade estrutural que ameaça o sonho do hexa

Foto: Redação Central

Contexto histórico: o declínio de uma tradição brasileira

O Brasil sempre foi referência mundial em laterais. Na Copa do Mundo de 1970, Jairzinho e Carlos Alberto foram peças fundamentais no ataque da seleção tricampeã. Nas décadas seguintes, nomes como Branco, Cafu e Roberto Carlos elevaram o padrão tático da posição, combinando solidez defensiva e projeção ofensiva. No entanto, o cenário atual revela uma queda acentuada. A geração atual de laterais brasileiros — com exceções como Alex Sandro e Danilo — não consegue preencher a lacuna deixada pelos ícones do passado. Edmílson, campeão em 2002, aponta que a falta de qualidade nas laterais não é exclusividade do Brasil, mas um fenômeno global.

As laterais na era moderna: entre a especialização e a crise de identidade

A evolução tática do futebol, com a adoção de sistemas como o 3-5-2 e a valorização dos meias-atacantes, reduziu a importância dos laterais puramente defensivos. Hoje, espera-se que os laterais sejam também jogadores de meio-campo, com capacidade de cruzamento e participação em jogadas de ataque. No entanto, o Brasil enfrenta um paradoxo: enquanto países como Bélgica e França desenvolveram laterais técnicos e versáteis (como Thomas Meunier e Theo Hernández), a Seleção Brasileira oscila entre improvisações e a ausência de nomes consolidados. A última Copa do Mundo, em 2018, mostrou a fragilidade na posição, com Fagner e Filipe Luís sendo constantemente questionados.

Edmílson e a análise técnica: por que os laterais são o calcanhar de Aquiles da Amarelinha

Em entrevista ao CNN Esportes S/A, Edmílson destacou que, para conquistar um Mundial, a defesa deve ser impecável no mata-mata. “A gente foi um grande produtor de lateral esquerdo e direito e hoje, com os extremos, se perdeu um pouco”, afirmou. Sua análise ecoa entre analistas: a falta de laterais de elite não só expõe a defesa a contra-ataques, mas também limita a amplitude ofensiva da equipe. Em 2002, o Brasil contou com o talento de Cafu e Roberto Carlos, que não apenas defendiam, mas também desequilibravam o jogo. Hoje, a ausência desses perfis deixa a Seleção vulnerável a times com laterais ofensivos, como a Argentina de Emiliano Martínez e Nahuel Molina.

O mercado e a formação de novos laterais: uma crise de longo prazo

A formação de laterais de alto nível exige tempo e investimento em categorias de base. No entanto, o futebol brasileiro enfrenta dificuldades estruturais, como a falta de infraestrutura em muitos clubes e a priorização de outras posições. Além disso, a migração de jovens talentos para o exterior — como foi o caso de Vinícius Júnior, que atuou como lateral antes de se tornar extremo — reduz o número de jogadores disponíveis para a posição. O técnico Tite, ao longo de sua gestão, tentou adaptar jogadores como Daniel Alves e Danilo, mas a ausência de um sistema consistente de revelação de laterais persiste.

Comparação internacional: como outros países superaram a crise

Países como Portugal e Argentina investiram fortemente em categorias de base para formar laterais técnicos e versáteis. Na Argentina, jogadores como Marcos Rojo e Nicolás Tagliafico desenvolveram-se em clubes como Independiente e Ajax, respectivamente. Em Portugal, a formação de laterais como Nélson Semedo e João Cancelo foi possibilitada por um modelo de desenvolvimento que prioriza a versatilidade. O Brasil, embora possua talentos como Alex Sandro e Danilo, ainda carece de um projeto claro para a posição. A recente convocação de Renan Lodi e Guilherme Arana mostra a tentativa de preencher a lacuna, mas a falta de consistência nas performances deixa dúvidas.

Perspectivas para a Copa do Mundo: riscos e alternativas

Com a Copa do Mundo se aproximando, a pressão sobre Tite aumenta. A Seleção Brasileira precisa de laterais que não apenas defendam, mas também contribuam no ataque. A possibilidade de usar meio-campistas como Alex Telles ou Éder Militão em posições avançadas pode ser uma solução temporária, mas não resolve o problema estrutural. Analistas como Juca Kfouri e Paulo Vinícius Coelho alertam que a falta de laterais de elite pode ser o fator decisivo para uma eliminação prematura. A história recente mostra que times sem solidez defensiva — como o Brasil de 1998 ou a Argentina de 2014 — pagam caro nas fases decisivas.

Conclusão: a urgência de um projeto para as laterais

A crise nas laterais brasileiras não é nova, mas sua resolução tornou-se urgente. O futebol moderno exige jogadores multifuncionais, e a Seleção Brasileira precisa urgentemente de um plano para formar e desenvolver novos laterais. Enquanto isso não acontece, o risco de repetir os erros do passado — como a eliminação para a Bélgica em 2018 — permanece. Edmílson e outros ex-jogadores deixam um recado claro: sem laterais de elite, o hexa pode se tornar um sonho cada vez mais distante.

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