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Justiça em Nova York decreta novo julgamento nulo por falta de consenso em acusação de estupro contra Harvey Weinstein

Redação
15 de maio de 2026 às 18:28
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Justiça em Nova York decreta novo julgamento nulo por falta de consenso em acusação de estupro contra Harvey Weinstein

Imagem: ANGELA WEISS/via REUTERS… –

Nova York, 12 de julho de 2024 — O sistema judiciário norte-americano voltou a registrar um desfecho inconclusivo em um dos casos mais emblemáticos da luta contra a impunidade de crimes sexuais. Na manhã desta sexta-feira, o juiz James Burke, responsável pelo processo contra Harvey Weinstein, anunciou a declaração de um segundo julgamento nulo na acusação de estupro ocorrida em 2021, após o júri formado por sete homens e cinco mulheres informar, por meio de uma nota, que não conseguia alcançar uma decisão unânime.

O impasse que selou o destino do processo

Segundo registros do tribunal, os jurados deliberaram por horas antes de encaminhar a mensagem ao magistrado, na qual admitiam estar “incapazes de prosseguir” com um veredicto. O juiz Burke, após avaliar a situação, determinou que retornassem à sala de deliberação, na expectativa de que novos argumentos pudessem desbloquear o consenso. Contudo, menos de duas horas depois, o magistrado declarou publicamente que os jurados estavam “irremediavelmente divididos”, descartando qualquer possibilidade de continuidade do julgamento.

A decisão judicial, proferida em tom contundente, destacou a “evidente falta de progresso” nas discussões e a ausência de perspectivas de acordo entre os membros do júri. “É claro que não há luz no fim do túnel”, afirmou Burke, reafirmando a impossibilidade de um veredicto naquele momento.

O segundo julgamento nulo: reflexos de um caso polarizado

Este não é o primeiro desfecho inconclusivo no processo contra Weinstein. Em março de 2023, outro julgamento foi interrompido após o júri não chegar a um consenso sobre acusações semelhantes, culminando em um acordo de plea deal que encerrou as acusações federais em troca de uma condenação por agressão sexual em nível estadual. A repetição do impasse nesta sexta-feira reacende debates sobre a eficácia do sistema judiciário em casos de alta complexidade, especialmente aqueles que envolvem figuras públicas e alegações históricas de abuso.

Advogados de defesa e acusação divergem sobre as causas do novo fracasso. Enquanto a promotoria sugere que a estratégia de argumentação não foi suficientemente persuasiva para convencer os jurados, a defesa aponta para a “seletividade da memória” das vítimas e a ausência de provas físicas como fatores decisivos para a divisão do júri. Especialistas em direito criminal, ouvidos pela ClickNews, destacam que casos envolvendo alegações de crimes sexuais há décadas apresentam desafios únicos, como a dificuldade em reconstruir eventos passados e a subjetividade na interpretação de consentimento.

O que esperar agora: reação das partes e próximos passos

O anúncio do julgamento nulo foi recebido com reações imediatas por parte das vítimas e seus representantes legais. Donna Rotunno, advogada que defendeu Weinstein em 2020, declarou à imprensa que a decisão “valida a inocência” do produtor, enquanto a promotora do caso, acrescentou que a Promotoria de Justiça de Nova York “não descarta a possibilidade de um terceiro julgamento”, embora reconheça os custos financeiros e emocionais de um novo processo.

Quanto a Weinstein, que permanece em prisão preventiva desde outubro de 2023, sua equipe jurídica já sinalizou intenções de buscar a liberdade provisória com base no novo desfecho. No entanto, analistas jurídicos ponderam que a decisão do juiz Burke pode ser usada como argumento para agravar a pena no caso estadual já em andamento, onde Weinstein foi condenado a 16 anos de prisão em 2020 por agressão sexual.

O legado dos julgamentos nulos e a justiça tardia

O caso Weinstein, que se tornou um símbolo do movimento #MeToo, levanta questões cruciais sobre a justiça tardia e os limites da esfera penal em lidar com crimes históricos. Enquanto alguns setores da sociedade celebram os avanços na visibilidade das vítimas, outros questionam a efetividade de um sistema que, após anos de deliberações, ainda não conseguiu produzir um veredicto definitivo. A repetição do julgamento nulo nesta sexta-feira serve como um lembrete doloroso de que, mesmo com processos midiáticos e suporte institucional, a justiça nem sempre acompanha a velocidade da indignação pública.

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