Selic atinge 10,5% ao ano em ritmo moderado
A taxa básica de juros do Brasil encerrou a primeira semana de agosto em 10,5% ao ano, após o Copom concluir que os riscos inflacionários haviam se atenuado. A decisão, tomada em assembleia extraordinária convocada após negociações trabalhistas, reforça a tendência de queda gradual observada desde junho — um ciclo que já acumula quatro reduções consecutivas de 0,25 ponto. Segundo analistas consultados pela imprensa, trata-se de um dos ajustes mais conservadores da história recente, projetado para evitar pressões sobre o câmbio e a dívida pública.
Contexto internacional limita eficácia do corte
Otimismo com a redução dos juros contrasta com a volatilidade nos mercados globais. A expectativa de um novo ciclo de alta nos EUA e a tensão comercial entre China e União Europeia mantêm o real pressionado, o que pode neutralizar parte do estímulo ao crédito. Economistas ouvidos pela reportagem destacam que, sem um ambiente externo mais estável, a queda dos juros tende a ter efeito limitado sobre a atividade econômica, especialmente em setores dependentes de financiamento, como o imobiliário e o industrial.
Impacto sobre dívida e inflação em análise
O Ministério da Fazenda calcula que cada redução de 0,25 ponto na Selic reduzirá em R$ 12 bilhões anuais o pagamento de juros da dívida pública, mas alerta para o risco de um estouro da meta fiscal em 2027 caso a arrecadação não acompanhe o crescimento do PIB. Por outro lado, a inflação, atualmente em 4,2% ao ano (IPCA-12 meses), segue dentro da meta do Banco Central, o que dá margem para manobras adicionais nos próximos meses. A próxima reunião do Copom está prevista para meados de setembro, quando novos dados sobre emprego e atividade econômica serão incorporados ao debate.




