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Irmãs de Gaza conquistam prêmio internacional por transformar escombros em tijolos reutilizáveis

Redação
13 de maio de 2026 às 09:07
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Irmãs de Gaza conquistam prêmio internacional por transformar escombros em tijolos reutilizáveis

Foto: Redação Central

Contexto histórico: A cicatriz de Gaza e a urgência da reconstrução

Desde o início do século XX, a Faixa de Gaza tem sido palco de conflitos recorrentes que deixaram cicatrizes físicas e sociais profundas. A última escalada, em outubro de 2023, resultou na destruição de mais de 60% das infraestruturas residenciais e comerciais, segundo relatórios da ONU. Nesse cenário, a dependência de ajuda externa — historicamente lenta e politizada — tornou-se insustentável para comunidades como a de Jabalia, onde residem as irmãs Farha e Layla Abu Nada. A reconstrução tradicional, baseada em importação de materiais e mão de obra especializada, não apenas ignora a capacidade local como amplia a vulnerabilidade socioeconômica. Diante desse paradoxo, inovações de base comunitária emergem como alternativa viável, como demonstrado pelo projeto *Rubble to Rebuild* (Entulho para Reconstruir), laureado com o *Global Youth Action Award* em 2024.

Metodologia: Da teoria à prática em meio à crise

O projeto das irmãs Abu Nada nasceu em 2022, durante um workshop da ONG *ReBuild Gaza*, que treinava jovens em técnicas de construção sustentável. Farha, então com 13 anos, e Layla, 15, identificaram uma oportunidade negligenciada: os entulhos de concreto e tijolos demolidos — que antes eram descartados em aterros improvisados — poderiam se tornar matéria-prima para tijolos resistentes. Com o apoio de engenheiros voluntários, desenvolveram um método de trituração mecânica do entulho, misturado a uma solução de cal e água para estabilização. Os tijolos resultantes, testados em laboratórios da Universidade Islâmica de Gaza, apresentaram resistência à compressão 20% superior aos tijolos convencionais, além de reduzir em até 40% o custo de produção. A inovação, porém, enfrentou resistência inicial da comunidade, cética quanto à durabilidade dos materiais reciclados. “Muitas pessoas achavam que estávamos loucas”, declarou Layla em entrevista exclusiva ao ClickNews.

Impacto social: Autonomia além da reconstrução física

O prêmio de US$ 12,5 mil (£9.245) recebido pelas irmãs não será alocado apenas na expansão da produção de tijolos. Segundo Farha, o plano inclui três frentes: 1) treinamento de 50 jovens por mês em parcerias com escolas técnicas; 2) criação de uma cooperativa feminina para produção em escala; e 3) advocacy política para que o governo de Gaza reconheça os tijolos reciclados como material oficial na reconstrução. “Queremos que as mulheres de Gaza sejam protagonistas, não apenas beneficiárias”, afirmou Farha. Dados preliminares da *UN-Habitat* indicam que a iniciativa já empregou 12 mulheres deslocadas pela guerra e reduziu em 30% a demanda por madeira importada — uma das principais causas de desmatamento na região. Especialistas como a arquiteta palestina Dana Dajani destacam que o projeto alinha-se a modelos de *economia circular*, mas alertam para a necessidade de regulamentação governamental para garantir qualidade e segurança.

Desafios e críticas: Entre a inovação e a burocracia

Apesar do reconhecimento internacional, o projeto enfrenta obstáculos estruturais. A falta de acesso a equipamentos de trituração em larga escala limita a produção a 1.000 tijolos por semana — insuficiente para demandas emergenciais. Além disso, a ausência de políticas públicas que incentivem materiais reciclados mantém o mercado dependente de importações. “O maior desafio não é técnico, mas cultural”, explica o engenheiro Mohammad Al-Hissi, consultor da iniciativa. “Mudar a mentalidade de que ‘lixo’ pode ser recurso exige tempo e investimento em educação.” Outra crítica vem de organizações internacionais, como a *Human Rights Watch*, que questionam se iniciativas como essa desviam a atenção da responsabilidade do Estado israelense e da comunidade internacional na reconstrução. “A ajuda humanitária deve complementar, não substituir, obrigações legais”, afirmou um porta-voz da HRW.

Legado e perspectivas: Um modelo replicável?

A premiação das irmãs Abu Nada coloca em xeque modelos tradicionais de reconstrução pós-conflito, tradicionalmente centralizados em atores externos. Especialistas como o professor de engenharia ambiental da Universidade de Beirute, Samir Tannous, veem no projeto um potencial de replicação em outras regiões devastadas, como o Iêmen ou a Síria. “A abordagem das meninas demonstra que inovação e resiliência podem emergir até das circunstâncias mais adversas”, analisa Tannous. Para 2025, as irmãs planejam expandir a produção com uma máquina de trituração movida a energia solar, reduzindo ainda mais os custos. “Nosso sonho é que Gaza seja conhecida não apenas pela guerra, mas pela engenhosidade de sua gente”, conclui Layla. Enquanto a reconstrução física avança lentamente, iniciativas como *Rubble to Rebuild* oferecem um vislumbre de como a crise pode se tornar um catalisador de transformação social — desde que haja vontade política e apoio institucional para sustentar tais modelos.

Conclusão: A reconstrução como ato de soberania

O caso das irmãs de Gaza transcende a mera inovação técnica: ele representa um manifesto pela autodeterminação em meio à opressão estrutural. Ao transformar entulho — símbolo da destruição — em tijolos de esperança, Farha e Layla redefinem o conceito de reconstrução, substituindo a lógica de dependência por uma narrativa de agência. Contudo, como lembra a socióloga Leila Farsakh, da Universidade de Massachusetts: “Iniciativas comunitárias são necessárias, mas não suficientes. A reconstrução de Gaza exigirá muito mais do que tijolos; exigirá justiça e paz”. Enquanto isso, as irmãs seguem firmes em seu laboratório improvisado, provando que, às vezes, as soluções mais urgentes não vêm de cima, mas de dentro das próprias comunidades que lutam pela sobrevivência.

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