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Inflação na Argentina recua ao menor patamar anual em três meses, mas pressões setoriais mantêm alerta

Redação
15 de maio de 2026 às 07:11
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Inflação na Argentina recua ao menor patamar anual em três meses, mas pressões setoriais mantêm alerta

Foto: PODER360

Transportes e educação: os motores da inflação de abril

 

A Argentina registrou em abril a menor taxa de inflação anual em três meses, com recuo de 32,4% — queda marginal em relação aos 32,6% de março, conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Embora o resultado represente uma desaceleração, a estabilidade na faixa de 32% ao ano mantém o país em patamar crítico, com a inflação mensal teimosamente ancorada entre 2% e 3%, patamar observado desde meados de 2025.

O setor de transportes liderou o avanço de preços em abril, com alta de 4,4%, impulsionada pelo reajuste nos combustíveis. A educação não ficou atrás, com aumento de 4,2%, seguida por comunicação (4,1%) e habitação (3,5%). A escalada nesses segmentos contrasta com a média mensal de 2,6%, que, embora acima da projeção de 2,5% dos economistas ouvidos pela Bloomberg, ainda reflete um ritmo de pressão inflacionária mais controlado do que em períodos anteriores.

O discurso de Milei e a narrativa da ‘normalidade’

O presidente Javier Milei celebrou o resultado em postagem no X, classificando-o como um ‘retorno à normalidade’. Milei atribuiu a desaceleração a políticas econômicas agressivas de seu governo, mas minimizou os impactos externos, como a guerra no Oriente Médio e as ‘tentativas golpistas’ da oposição. No entanto, a realidade dos números ainda contrasta com o discurso oficial: desde 1º de maio, a tarifa do metrô em Buenos Aires subiu para 1.490,36 pesos argentinos — cerca de US$ 1,05, valor que evidencia a fragilidade do poder aquisitivo local.

A armadilha dos 2% a 3% mensais: uma inflação ‘controlada’?

Apesar da desaceleração anual, a inflação mensal argentina segue em níveis preocupantes. Dados do Indec mostram que, desde janeiro de 2025, os índices mensais raramente caíram abaixo de 2%, com poucas exceções. Especialistas alertam que esse patamar, embora inferior aos picos de 2024, ainda representa um fardo para famílias e empresas, especialmente em setores como alimentação e serviços básicos, não mencionados entre os principais vetores de alta em abril. A persistência desse ritmo sugere que a ‘normalidade’ alardeada pelo governo ainda está longe de ser alcançada.

Perspectivas: entre a euforia oficial e os riscos estruturais

O governo Milei tem apontado a desaceleração inflacionária como prova do sucesso de sua política de ajuste fiscal e desvalorização cambial. No entanto, analistas independentes destacam que a melhora relativa pode ser temporária, especialmente diante de fatores externos como a instabilidade nos preços globais de commodities e a dependência argentina de importações de energia. Além disso, a pressão sobre itens essenciais — como alimentação e saúde — permanece um ponto cego nas avaliações oficiais, o que pode limitar o otimismo dos cidadãos comuns.

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