Prazo se esgota em 72 horas com 10 milhões de declarações pendentes
A contagem regressiva para o encerramento do prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 atinge seu estágio final nesta quarta-feira, 27 de maio, às 05h45 (Horário de Brasília). Até as 22h37 de terça-feira (26), a Receita Federal registrava 34.827.460 declarações entregues, enquanto outros 10 milhões de contribuintes ainda não haviam cumprido a obrigação fiscal. Com o prazo estabelecido para 29 de maio, sexta-feira, às 23h59, a pressa para regularizar a situação é inevitável.
Multa por atraso: prejuízo certo em até 30 dias
O planejador financeiro Jeff Patzlaff, especialista em finanças e investimentos, recomenda aos contribuintes que enviem suas declarações o mais rápido possível, mesmo que incompletas. A justificativa é clara: a multa por atraso, cujo valor mínimo é de R$ 165,74, pode escalar para até 20% do imposto devido. Além disso, a cobrança deve ser liquidada em até 30 dias após a entrega em atraso, agravando ainda mais o custo para o contribuinte.
Especialistas divergem, mas Receita mantém linha dura
A advogada tributarista Mary Elbe Queiroz, presidente do Centro Nacional para a Prática Tributária (Cenapret), reforça a orientação de Patzlaff, destacando que a Receita Federal tem intensificado as fiscalizações nos últimos anos. “A estratégia de não declarar não é apenas arriscada, mas pode resultar em bloqueio de CPF e restrições em operações financeiras”, alerta. Segundo dados da Receita, o número de declarações retidas por inconsistências cresceu 15% em relação ao ano passado, sinalizando um rigor maior no pente-fino das informações prestadas.
Como minimizar danos em uma declaração emergencial
Para evitar erros graves em uma entrega apressada, especialistas sugerem:
- Priorizar o preenchimento dos campos essenciais, como rendimentos e deduções;
- Utilizar a pré-preenchida da Receita Federal, que já traz dados de fontes pagadoras e imobiliárias;
- Corrigir eventuais inconsistências posteriormente por meio de retificação, sem custo adicional;
- Guardar todos os comprovantes por pelo menos cinco anos, mesmo após a entrega.
Consequências além da multa: CPF irregular e restrições financeiras
Atrasar a declaração não apenas acarreta em penalidades financeiras, mas também pode impactar diretamente a vida do contribuinte. Em 2025, mais de 1,2 milhão de CPFs foram bloqueados por falta de prestação de contas, segundo a Receita Federal. Além disso, a irregularidade impede a emissão de passaporte, financiamentos e até mesmo a participação em licitações públicas. “O custo de não declarar supera em muito o valor da multa”, enfatiza Queiroz.




